Acompanhando com curiosidade a vida das pessoas supersticiosas percebi que muitas delas realmente alcançam sucesso por um motivo simples: Ter superstição é ter no que acreditar.
Como tudo que é bom na vida até mesmo na superstição deve haver um equilíbrio. Mas o fato é que pessoas que acreditam nos seus amuletos acabam se livrando com mais facilidade da “muleta” da autopiedade.
Quem veste sua camisa da sorte para uma reunião se sente mais seguro e preparado. Quem faz uma oração antes da viagem presta mais atenção no caminho. Aquele que busca com vontade e perseverança sabe que não é possível conquistar nada sozinho. Por isso um bom amuleto pode dar uma esticada na força de vontade. Um bom amuleto ajuda a lembrar que é preciso continuar tentando.
Acho engraçado que as pessoas pensem logo naqueles amuletos meio bregas quando falamos de superstição. Mas a verdade é que mesmo a religião é um amuleto essencial para algumas pessoas. Para outras as amizades. Há ainda aquelas que, sem perceber, consideram seu amor ou a família amuletos importantes para tomar decisões.
Eu não sou um portador de pé de coelho ou ferradura de cavalo, mas acredito sinceramente e acho bonito ver quem faz questão de ter seu amuleto por perto nas horas decisivas. Minha avó tem um terço, meu amigo tem seu amado carro, minha mãe tem suas rezas, enfim... cada um sabe o que pode te fazer ter mais força e vontade.
A superstição do cotidiano não é aquela coisa brega de badulaques, mas são as coisas importantes que nos fazem caminhar adiante, ou mesmo levantar e seguir em frente quando a esperança fraqueja das pernas.
É a corneta e o surdo que empurram o time de futebol, a bola selecionada no tênis, a pedra vermelha no pescoço que espanta pensamentos ruins ou o trabalho do homem honesto, que busca chegar até a sorte antes mesmo que esta o alcance.
Enfim, é bonito de se ver.
E se a sorte sorri para quem corre atrás dela use seus bons amuletos para atraí-la sempre.
Afinal, andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá!
sexta-feira, junho 18, 2010
segunda-feira, junho 07, 2010
O Jogo da Vida
Ao final, apenas responda sim ou não.
O diabo lhe convida para jogar contra ele, o jogo que você escolher, apostando sua felicidade.
Porém a aposta não é ser feliz ou infeliz: se ganhar realizará seus maiores sonhos e será mais feliz do que jamais imaginou. Se perder levará uma vida mediana, sem outras chances de realizar seus sonhos mais profundos e terá apenas o essencial para tocar em frente.
Sempre vejo as pessoas questionando e comparando ser rico ou pobre, feliz ou infeliz, mas e se elevarmos o nível um pouquinho? Se compararmos uma vida mediana e quase satisfatória com uma vida verdadeiramente completa, quem arriscaria isso numa única jogada?
Sempre me pareceu mais fácil decidir entre apostar ou não se o resultado for, por exemplo, ser muito feliz ou definhar de tristeza. Não é uma troca justa e acredito que apenas algumas poucas pessoas que conheço realmente topariam essa parada. Mas e se a aposta for uma chance única de sair do mediano e ir direto para o sucesso na vida? Se a derrota não for algo tão horrível, mas que impossibilite de qualquer outra maneira alcançar o seu máximo?
Há quem diga que arriscar tudo numa única jogada significa não se dar uma segunda chance. Já ouvi também dizerem que ter a chance de agarrar a felicidade com as duas mãos e não tentar é a perda de uma oportunidade que pode ser única.
O diabo que, como dizem, gosta tanto de um jogo e não recusa um desafio seria seu adversário. E para os descrentes da justiça de um bom jogo contra ele, Deus seria o juiz.
É risco ou é oportunidade!
E aí o diabo perguntou para você:
- Dá para encarar um jogo desses?!
sexta-feira, junho 04, 2010
Complicai-vos!
Hoje bolei uma divertida explicação sobre como Homens e Mulheres se tornaram tão diferentes dentro de uma mesma espécie que, curiosamente, ainda não entrou em extinção.
Deus, o primeiro grande autor de novelas mexicanas, cansado do marasmo que observava dia após dia no Jardim do Éden, decidiu levar sua longa barba branca até a terra para mudar um pouco as coisas.
Ao chegar ao Éden encontrou sua velha amiga serpente, como sempre empoleirada na macieira, e puxou assunto:
- Deus chega do Paraíso! Regozijai, belíssima serpente da macieira.
- Bom dia chefe...
- Serpente, percebo que as coisas no Éden estão bastante pacatas, não?
- Como sempre, como sempre...
- Então parece que Adão e Eva não estão aprontando muito por aqui também?
- Não! São como anjos! Nem tentaram pegar minhas maçãs ainda. Desconfiei no começo, mas eles são tão molengas!
- Entendo. Então, amiga serpente, resolvi mudar um pouco as coisas para eles. Posso ter uma conversa particular com cada um aqui atrás da sua macieira?
- A casa é sua, chefe. Não repare na bagunça.
E Deus chamou Eva para uma conversa atrás da árvore que, em breve, se tornaria proibida:
- Então, Eva, parece que a eternidade com Adão no Paraíso está indo muito bem.
- Sim senhor, sim senhor! Eu diria que estamos eternamente de férias, se tivesse prestando atenção quando o Senhor falou sobre trabalho, prover alimento com o suor do nosso rosto e tudo mais...
- É exatamente sobre isto que desejo conversar com você, Eva. Existem algumas tarefas que desejo que cumpra para mim.
- Sim.
- Eva, como mulher você deve pressentir que em breve comerás do fruto proibido e, então, nada mais será fácil ao lado de Adão. Tuas filhas nascerão à imagem e semelhança da mãe, vindas de um parto doloroso e violento. Serão concebidas de forma instintiva e animal durante sua união com um homem longe dos ideais do Paraíso. Crescerão sob os mimos da família e terão dezenas de namorados patéticos antes de encontrar um homem belo, gentil e educado. Depois de terminar com este homem terão quase 30 anos e caçarão como animais qualquer um que saiba soletrar a palavra “casamento”. Conhecerão as dores e delícias de uma vida onde a cada mês se lembrarão desta conversa e sentirão uma fúria incontrolável contra os homens, que prestarão mais atenção aos esportes do que em vocês. Envelhecerão ao lado de parceiros que não escutarão direito e usarão fraldas.
Agora, por favor, vá chamar meu filho Adão.
Atordoada com tudo e abalada pela imagem futura que Deus fez dos descendentes de Adão, seu homem ideal, Eva sentiu uma vontade absurda de comer chocolate. Na falta dele, pegou uma maçã na árvore proibida da serpente e foi embora.
Ao cruzar com Adão, Eva, pela primeira de muitas vezes, pensou que Deus só poderia ter dado todos aqueles castigos por que era feia e tinha engordado alguns quilinhos. Amarrou a cara e foi monossilábica ao responder quando Adão perguntou se estava tudo bem.
- É sua vez de conversar com o Pai. Lá atrás da macieira, bundão...
A serpente, abismada com o que vira, desejou rastejar de dó pelo resto da sua vida. Sem conseguir acreditar em tudo aquilo indagou:
- Senhor Deus, chefinho meu! Isso é um absurdo! Nenhum homem será capaz de conviver com uma mulher de vida tão sombria e amarga, que terá sempre a lembrança deste momento durante todos os meses de sua vida!
- Serpente não me conteste! Contenha-se e observe. O que direi para Adão deixará muito claro como as coisas funcionarão neste mundo, fora do Jardim do Éden.
Ao se aproximar Adão já esperava pelo pior. Imaginou as coisas horríveis que seu pai havia dito à Eva e como seria difícil fazê-la feliz ao notar a raiva com que ela devorava aquela maçã.
Foi então que Deus, do alto de sua sabedoria eterna, calmamente confiou a Adão suas responsabilidades masculinas para que conseguisse conviver eternamente ao lado da furiosa Eva:
- Crescei e multiplicai-vos!
E todos nos regozijamos até hoje...
Deus, o primeiro grande autor de novelas mexicanas, cansado do marasmo que observava dia após dia no Jardim do Éden, decidiu levar sua longa barba branca até a terra para mudar um pouco as coisas.
Ao chegar ao Éden encontrou sua velha amiga serpente, como sempre empoleirada na macieira, e puxou assunto:
- Deus chega do Paraíso! Regozijai, belíssima serpente da macieira.
- Bom dia chefe...
- Serpente, percebo que as coisas no Éden estão bastante pacatas, não?
- Como sempre, como sempre...
- Então parece que Adão e Eva não estão aprontando muito por aqui também?
- Não! São como anjos! Nem tentaram pegar minhas maçãs ainda. Desconfiei no começo, mas eles são tão molengas!
- Entendo. Então, amiga serpente, resolvi mudar um pouco as coisas para eles. Posso ter uma conversa particular com cada um aqui atrás da sua macieira?
- A casa é sua, chefe. Não repare na bagunça.
E Deus chamou Eva para uma conversa atrás da árvore que, em breve, se tornaria proibida:
- Então, Eva, parece que a eternidade com Adão no Paraíso está indo muito bem.
- Sim senhor, sim senhor! Eu diria que estamos eternamente de férias, se tivesse prestando atenção quando o Senhor falou sobre trabalho, prover alimento com o suor do nosso rosto e tudo mais...
- É exatamente sobre isto que desejo conversar com você, Eva. Existem algumas tarefas que desejo que cumpra para mim.
- Sim.
- Eva, como mulher você deve pressentir que em breve comerás do fruto proibido e, então, nada mais será fácil ao lado de Adão. Tuas filhas nascerão à imagem e semelhança da mãe, vindas de um parto doloroso e violento. Serão concebidas de forma instintiva e animal durante sua união com um homem longe dos ideais do Paraíso. Crescerão sob os mimos da família e terão dezenas de namorados patéticos antes de encontrar um homem belo, gentil e educado. Depois de terminar com este homem terão quase 30 anos e caçarão como animais qualquer um que saiba soletrar a palavra “casamento”. Conhecerão as dores e delícias de uma vida onde a cada mês se lembrarão desta conversa e sentirão uma fúria incontrolável contra os homens, que prestarão mais atenção aos esportes do que em vocês. Envelhecerão ao lado de parceiros que não escutarão direito e usarão fraldas.
Agora, por favor, vá chamar meu filho Adão.
Atordoada com tudo e abalada pela imagem futura que Deus fez dos descendentes de Adão, seu homem ideal, Eva sentiu uma vontade absurda de comer chocolate. Na falta dele, pegou uma maçã na árvore proibida da serpente e foi embora.
Ao cruzar com Adão, Eva, pela primeira de muitas vezes, pensou que Deus só poderia ter dado todos aqueles castigos por que era feia e tinha engordado alguns quilinhos. Amarrou a cara e foi monossilábica ao responder quando Adão perguntou se estava tudo bem.
- É sua vez de conversar com o Pai. Lá atrás da macieira, bundão...
A serpente, abismada com o que vira, desejou rastejar de dó pelo resto da sua vida. Sem conseguir acreditar em tudo aquilo indagou:
- Senhor Deus, chefinho meu! Isso é um absurdo! Nenhum homem será capaz de conviver com uma mulher de vida tão sombria e amarga, que terá sempre a lembrança deste momento durante todos os meses de sua vida!
- Serpente não me conteste! Contenha-se e observe. O que direi para Adão deixará muito claro como as coisas funcionarão neste mundo, fora do Jardim do Éden.
Ao se aproximar Adão já esperava pelo pior. Imaginou as coisas horríveis que seu pai havia dito à Eva e como seria difícil fazê-la feliz ao notar a raiva com que ela devorava aquela maçã.
Foi então que Deus, do alto de sua sabedoria eterna, calmamente confiou a Adão suas responsabilidades masculinas para que conseguisse conviver eternamente ao lado da furiosa Eva:
- Crescei e multiplicai-vos!
E todos nos regozijamos até hoje...
quinta-feira, maio 27, 2010
Fino Trato
Existe em algumas pessoas um apanhado de gestos que cativam.
É forma gentil de falar, movimento leve e suave das mãos e o olhar firme que fazem destes um porto seguro para os olhos.
Não é necessário ser rico ou poderoso, mas possuir este conjunto de gestos de fino trato que tanto cativam a quem se aproxima.
Acho bonito verificar a desenvoltura dos olhares atraídos pelas pessoas de fino trato. Não é aquela mesma absorção que possuem os poderosos ou importantes, mas algo que vai além. É uma sedução elegante e imponente que parece possuir um perfume muito próprio, que nem mesmo as flores alcançariam jamais.
Observo com prazer respeitoso pessoas que possuem, cultivam e doam esta sensação aos outros. É bonito e é valioso como só.
O fino trato também está nos objetos, nas palavras e nas escolhas. Nos sons e nas cores de tudo que é classicamente belo. Naquilo que perdura anos e vence a concorrência das novidades, entregando-se apenas ao que é verdadeiramente bom.
Trata-se de um gosto requintado por ser verdadeiro e não obrigatoriamente forte. Pelo contrário, é suave, macio, sensível como água numa taça de cristal.
De tão perfeitamente belo é também misterioso e faceiro como máscaras em um baile. É este fino trato, que muitas vezes se esconde sob camadas de robustez sólida.
Gosto de falar desse sentimento quando observo alguém que simplesmente o possui. Não por que assim o deseja ou que o tenha conquistado com o tempo, mas por que recebeu em algum momento esta coerência irracional.
Gentileza que experimento alguns dias com os olhos. Noutros empunho despretensiosamente com palavras.
Este belo e fino trato.
É forma gentil de falar, movimento leve e suave das mãos e o olhar firme que fazem destes um porto seguro para os olhos.
Não é necessário ser rico ou poderoso, mas possuir este conjunto de gestos de fino trato que tanto cativam a quem se aproxima.
Acho bonito verificar a desenvoltura dos olhares atraídos pelas pessoas de fino trato. Não é aquela mesma absorção que possuem os poderosos ou importantes, mas algo que vai além. É uma sedução elegante e imponente que parece possuir um perfume muito próprio, que nem mesmo as flores alcançariam jamais.
Observo com prazer respeitoso pessoas que possuem, cultivam e doam esta sensação aos outros. É bonito e é valioso como só.
O fino trato também está nos objetos, nas palavras e nas escolhas. Nos sons e nas cores de tudo que é classicamente belo. Naquilo que perdura anos e vence a concorrência das novidades, entregando-se apenas ao que é verdadeiramente bom.
Trata-se de um gosto requintado por ser verdadeiro e não obrigatoriamente forte. Pelo contrário, é suave, macio, sensível como água numa taça de cristal.
De tão perfeitamente belo é também misterioso e faceiro como máscaras em um baile. É este fino trato, que muitas vezes se esconde sob camadas de robustez sólida.
Gosto de falar desse sentimento quando observo alguém que simplesmente o possui. Não por que assim o deseja ou que o tenha conquistado com o tempo, mas por que recebeu em algum momento esta coerência irracional.
Gentileza que experimento alguns dias com os olhos. Noutros empunho despretensiosamente com palavras.
Este belo e fino trato.
segunda-feira, maio 10, 2010
Alegria Branca
Existe uma alegria que descobri em mim e que ninguém é capaz de devolver.
É uma tal cor nos olhos que fascina e dá uma vontade imensa de estar ali. Essa é a alegria branca que tenho. Aquela que me faz levantar correndo de madrugada ou aparecer do nada. Que socorre todos os sentimentos seus, sem compromisso com a realidade.
É um pouco daquele meu lado que gosta de surpreender e de surpresas que se vão e nunca voltam. Um sentimento que me dá de graça, sem pedir, e me deixa o coração faminto.
Mas descobri por esses dias que não há novidade na minha alegria branca. Eu sempre tive essa alegria de viver as coisas, os momentos, os sentimentos e as pessoas. Mas percebi também, faz muito tempo, que existe um mal nisso.
A alegria branca que contagia também dá fome de sentimentos.
E quem dela padece não se cura, pois é rara e não se encontra assim, ao vento. Quase não há nos amigos ou na família, nos irmãos e namorados. Dos amantes passa longe e não inverna. Para quem se entrega torna-se algo incurável.
Traz uma vontade imensa de participar e é por isso que a alegria branca parece tão bonita. Algo difícil de curar com meros sentimentos, que exagera nas pessoas e as vicia a buscá-la nas relações. Faz esperar muito tempo por alguém que troque e alivie esses pensamentos. É causadora dos corações infestados de revolta solitária, que não nos devolve aos sentimentos tradicionais, jamais.
Na maioria das pessoas ela se deposita nos olhos e só pode ser observada pelos outros, nunca entendida por quem a carrega. Em mim resolveu alojar-se no coração. Por isso já compreendi que os olhos dos outros, cheios de alegria branca indolor, se cruzam e se aliviam. Como é normal acontecer.
É uma alegria saudável e doente, que carrego no lugar errado, e que não encontrarei fora dos olhos de mais ninguém. Não que me impeça de ser feliz, de forma alguma. Muitas vezes essa alegria branca também pode ser muito boa para os olhos alheios, mesmo enquanto eu a carregar no coração.
Mas como olhos e corações não se cruzam nunca, o que será do meu coração?
É uma tal cor nos olhos que fascina e dá uma vontade imensa de estar ali. Essa é a alegria branca que tenho. Aquela que me faz levantar correndo de madrugada ou aparecer do nada. Que socorre todos os sentimentos seus, sem compromisso com a realidade.
É um pouco daquele meu lado que gosta de surpreender e de surpresas que se vão e nunca voltam. Um sentimento que me dá de graça, sem pedir, e me deixa o coração faminto.
Mas descobri por esses dias que não há novidade na minha alegria branca. Eu sempre tive essa alegria de viver as coisas, os momentos, os sentimentos e as pessoas. Mas percebi também, faz muito tempo, que existe um mal nisso.
A alegria branca que contagia também dá fome de sentimentos.
E quem dela padece não se cura, pois é rara e não se encontra assim, ao vento. Quase não há nos amigos ou na família, nos irmãos e namorados. Dos amantes passa longe e não inverna. Para quem se entrega torna-se algo incurável.
Traz uma vontade imensa de participar e é por isso que a alegria branca parece tão bonita. Algo difícil de curar com meros sentimentos, que exagera nas pessoas e as vicia a buscá-la nas relações. Faz esperar muito tempo por alguém que troque e alivie esses pensamentos. É causadora dos corações infestados de revolta solitária, que não nos devolve aos sentimentos tradicionais, jamais.
Na maioria das pessoas ela se deposita nos olhos e só pode ser observada pelos outros, nunca entendida por quem a carrega. Em mim resolveu alojar-se no coração. Por isso já compreendi que os olhos dos outros, cheios de alegria branca indolor, se cruzam e se aliviam. Como é normal acontecer.
É uma alegria saudável e doente, que carrego no lugar errado, e que não encontrarei fora dos olhos de mais ninguém. Não que me impeça de ser feliz, de forma alguma. Muitas vezes essa alegria branca também pode ser muito boa para os olhos alheios, mesmo enquanto eu a carregar no coração.
Mas como olhos e corações não se cruzam nunca, o que será do meu coração?
segunda-feira, maio 03, 2010
Carta Vinda
Encontrei uma carta muito bonita. Muito bonita de verdade. Foi escrita especialmente para mim.
Mas não foi uma carta pensada e repensada por alguém, dessas que navegam pelos correios até chegar ao seu destino. Foi uma que navegou de verdade e chegou aqui, mesmo sem saber que o seu destino era eu.
Era eu sim.
Fiquei surpreso e emocionado de tal forma que dela não consigo tirar os olhos até hoje. Nem quero. É uma carta bonita e caprichada. Cheia de um lado a outro com palavras que não parecem terem sido escritas, mas desenhadas.
Tão gentil quanto a beleza das palavras é o papel que as transporta. Resistente e denso, mas macio como o veludo. É também muito cheiroso e perfumado.
Cada palavra desta carta percorre seu papel com harmonia e, do começo ao fim, parece uma estrada reta, macia, daquelas de onde partimos com a total certeza de chegar lá, aonde quer que nos leve.
É o meu papel. Aqui escreveram a minha carta.
E o mais curioso é que, de todo aquele texto que se deita majestoso sobre o sublime papel, não entendo palavra. Não parece um texto complexo ou rebuscado, mas é texto dos que não se entende com esforço nem nada.
Não veio em língua de gente, veio em língua de carta.
Sem pena ou tinta de caneta, grafite ou carvão. Um texto legível como só, mas de tão bem escrito e cheio de alma, não possui tradução.
Pode buscar em livros e dicionários. Correr por todo o mundo buscando quem o decifre, batendo de porta em porta atrás das línguas mortas. Mas de morto esse texto não tem nada.
É preciso vê-lo para crer. Acreditem em mim. Este texto não mente.
É texto lógico que percorre caminhos. Chega para ser lido pela mente e acaba se alojando no coração.
Fiz que fiz para escutá-lo, mas acabei encantado. Como era pra ser. Como estava escrito.
E depois de percorrido esse caminho, meu coração, tão ridiculamente inocente, deixou a mente de lado e passou a buscar os significados desse texto, que apaga seu rastro da memória sem piedade. Faz o leitor esquecê-lo a cada palavra, antes mesmo de começá-lo.
Um texto que não quer ser compreendido.
E assim sofreu ingenuamente meu coração por não entendê-lo. Por achar que deveria. Por tanto tempo.
Um coração que não desiste daquilo que acha certo. Que precisava compreender esse texto a qualquer custo. Pensava como podia ser cruel um texto esconder tanto a sua beleza daquele que o quer tão bem.
Mas enquanto isso meu coração foi vivendo. Buscando compreender esse texto que não quer ser compreendido. Foi tratado e medicado pelo senhor tempo.
E hoje sabe que o texto que não deseja ser lido deve ser apreciado apenas. Deve ser acompanhado de perto, amado e querido para ser compreendido.
Foi quando meu coração finalmente entendeu. Meu ouvido se acalmou. Meus dedos encontraram o ritmo perfeito sobre as suas sentenças. E a mente concordou.
Que um texto que não quer ser lido não pode ser lido. Deve ser amado e compreendido apenas pelo bem que traz a sua beleza. Pelo dom de existir e ter-me encontrado.
O texto que não quer ser lido deve-se entender sem palavras.
Se não for assim,
Perde a poesia.
Mas não foi uma carta pensada e repensada por alguém, dessas que navegam pelos correios até chegar ao seu destino. Foi uma que navegou de verdade e chegou aqui, mesmo sem saber que o seu destino era eu.
Era eu sim.
Fiquei surpreso e emocionado de tal forma que dela não consigo tirar os olhos até hoje. Nem quero. É uma carta bonita e caprichada. Cheia de um lado a outro com palavras que não parecem terem sido escritas, mas desenhadas.
Tão gentil quanto a beleza das palavras é o papel que as transporta. Resistente e denso, mas macio como o veludo. É também muito cheiroso e perfumado.
Cada palavra desta carta percorre seu papel com harmonia e, do começo ao fim, parece uma estrada reta, macia, daquelas de onde partimos com a total certeza de chegar lá, aonde quer que nos leve.
É o meu papel. Aqui escreveram a minha carta.
E o mais curioso é que, de todo aquele texto que se deita majestoso sobre o sublime papel, não entendo palavra. Não parece um texto complexo ou rebuscado, mas é texto dos que não se entende com esforço nem nada.
Não veio em língua de gente, veio em língua de carta.
Sem pena ou tinta de caneta, grafite ou carvão. Um texto legível como só, mas de tão bem escrito e cheio de alma, não possui tradução.
Pode buscar em livros e dicionários. Correr por todo o mundo buscando quem o decifre, batendo de porta em porta atrás das línguas mortas. Mas de morto esse texto não tem nada.
É preciso vê-lo para crer. Acreditem em mim. Este texto não mente.
É texto lógico que percorre caminhos. Chega para ser lido pela mente e acaba se alojando no coração.
Fiz que fiz para escutá-lo, mas acabei encantado. Como era pra ser. Como estava escrito.
E depois de percorrido esse caminho, meu coração, tão ridiculamente inocente, deixou a mente de lado e passou a buscar os significados desse texto, que apaga seu rastro da memória sem piedade. Faz o leitor esquecê-lo a cada palavra, antes mesmo de começá-lo.
Um texto que não quer ser compreendido.
E assim sofreu ingenuamente meu coração por não entendê-lo. Por achar que deveria. Por tanto tempo.
Um coração que não desiste daquilo que acha certo. Que precisava compreender esse texto a qualquer custo. Pensava como podia ser cruel um texto esconder tanto a sua beleza daquele que o quer tão bem.
Mas enquanto isso meu coração foi vivendo. Buscando compreender esse texto que não quer ser compreendido. Foi tratado e medicado pelo senhor tempo.
E hoje sabe que o texto que não deseja ser lido deve ser apreciado apenas. Deve ser acompanhado de perto, amado e querido para ser compreendido.
Foi quando meu coração finalmente entendeu. Meu ouvido se acalmou. Meus dedos encontraram o ritmo perfeito sobre as suas sentenças. E a mente concordou.
Que um texto que não quer ser lido não pode ser lido. Deve ser amado e compreendido apenas pelo bem que traz a sua beleza. Pelo dom de existir e ter-me encontrado.
O texto que não quer ser lido deve-se entender sem palavras.
Se não for assim,
Perde a poesia.
terça-feira, abril 27, 2010
Portabilidade*
Ligação para requisitar portabilidade numérica de um celular pré-pago da Vivo para um novo chip da Claro, comprado no dia 26 de Abril de 2010.
Ligação 1:
Falei com 2 atendentes.
Terminado o procedimento de requisição de portabilidade, afirmaram que demora 2 dias úteis para transferir a portabilidade da Vivo para a Claro.
Protocolo nº 2010 756 52204
Ligações do dia 27 de Abril, iniciadas às 12h10, para saber como está caminhando meu protocolo de transferência de portabilidade numérica.
Ligação 1:
Falei com a atendente Fátima, que não encontrou o meu processo no sistema.
Novo protocolo nº 2010 765 54824
Ligação 2:
Caiu durante a transferência do auto-atendimento para o atendente humano.
Mais 3 tentativas de ligação onde a transferência permanecia muda.
Ligação 3:
Falei com a atendente Adriana, que afirmou que a transferência de portabilidade demora 5 dias úteis.
Caiu a ligação quando foi transferir para a área de Portabilidade.
Ligação 4:
Falei com a atendente Vilma, que transferiu para a área de portabilidade.
Atendente Carolina pediu o número do celular da Vivo do qual quero transferir a portabilidade e disse que ia transferir para a área de portabilidade (novamente).
Tranferindo... musiquinha!
Voltou para o auto-atendimento...
Digitei 1, 2, 2, etc...
Digitei meu CPF e número de telefone para contato.
“Cadastro realizado! A Claro entrará em contato em até 48 horas! A Claro agradece a sua ligação.”
Desligou a ligação.
Ligação 5:
Auto-atendimento... digitei 1, 1, 2, 2, 2... até chegar ao atendimento humano.
“Para sua segurança esta ligação será gravada” (Ufa! Estou aliviado!)
Atendimento, Roxana, pediu mais uma vez o número da Vivo que desejo transferir para a Claro... aguardando completar o meu cadastro.
“Sr. Eilor, o meu setor é o setor de pedido de acompanhamento do atendimento e loja on-line e não temos acesso ao andamento do seu processo. Por isso vou transferir sua ligação para o setor de Portabilidade e espero que seja sua última transferência de ligação (!)”.
Tranferindo... musiquinha!
Atendente Eliane do setor de pré-pago me pediu o número da linha da Vivo que desejo portabilidade para a Claro.
Aguardando um momento enquanto ela verifica...
“Desculpe Sr. Eilor como sou do setor de pré-pago, não posso verificar o processo pelo sistema e, com a sua permissão, vou transferir para o setor de portabilidade.”
Ok, estou aguardando...
Tranferindo... musiquinha!
Caiu a linha.
Ligação 6:
São agora 13h26 e o número 1052 ficou mudo. Não chama.
Opa, chamou... auto-atendimento e lá vou eu digitar 1, 1, 2, 2, 2.
Como não querem mais me dar um número novo de protocolo, vou pedir logo de cara o número nesta ligação. Senão vou ligar de outro telefone. Veremos...
Tranferindo... musiquinha!
Atendente Claudia pediu meu nome e número de telefone, etc e eu interrompi pedindo um novo número de protocolo imediatamente.
Consegui novo protocolo nº 2010 765 96730!!!
Transferindo a ligação para a área responsável por portabilidade para celulares pré-pagos...
Tranferindo... musiquinha!
Atendente Renata “O que ocorre Sr. Eilor, referente à portabilidade não faz parte desse setor (claro cartão). Por isso posso transferí-lo para o setor de portabilidade para estar verificando”.
Tranferindo... musiquinha!
Chamou uma vez...
Caiu a linha.
Nestes casos, aprendi uma lição importante, que pode ajudar todas as pessoas:
Peguei o número da ANATEL (133) para ligar e fazer a reclamação formal.
Com esta atitude, a operadora é OBRIGADA a responder e solucionar o problema do cliente em 5 dias. Caso não responda e o problema não seja resolvido, recebe uma MULTA considerável, que aumenta conforme o passar dos dias!
Para isso, é necessário ter:
- 3 números de protocolo diferentes da operadora (no meu caso a Claro) requisitando o serviço;
- Descrição completa do problema para a ANATEL dar entrada em um processo de reclamação formal.
Como já tinha os 3 números de protocolo e o meu "diário" de ligações, realizei a 7ª e última.
Ligação 7:
Vamos lá então, ANATEL! Discando 133...
“Bem vindo ao atendimento ANATEL”.
Atendente Cleiciene me pediu para contar a história toda, nome completo, as operadoras envolvidas, CEP, CPF, Endereço e telefones para contato (cadastro da ANATEL).
Eu disse que não vou passar meus celulares por que a Vivo e a Claro estão mantendo-os desligados enquanto não conseguem fazer uma simples transferência de portabilidade.
Também relatei o fato do auto-atendimento do número 1052, dos serviços de Portabilidade da Claro, não seguir as novas leis do telemarketing, negando até mesmo a opção de falar com um atendente humano em qualquer menu do auto-atendimento.
Número da solicitação de reclamação formal na ANATEL: 5165522010
Fui informado que a prestadora tem uma prazo de 5 dias úteis para resolver a prestação ou entrar em contato comigo com o status da solicitação.
“A ANATEL agradece seu contato e deseja que o senhor tenha uma boa tarde.”
“Boa tarde Cleiciene, obrigado”.
São 13 horas e 49 minutos. Terminei meu contato com a ANATEL e não consegui mais falar com o setor de Portabilidade da Claro...
*Do dicionário bem transado do Marigo:
Portabilidade = Prestação de serviço realizada por empresas incompetentes em áreas de atendimento que possuem a mesma habilidade de uma porta.
Ligação 1:
Falei com 2 atendentes.
Terminado o procedimento de requisição de portabilidade, afirmaram que demora 2 dias úteis para transferir a portabilidade da Vivo para a Claro.
Protocolo nº 2010 756 52204
Ligações do dia 27 de Abril, iniciadas às 12h10, para saber como está caminhando meu protocolo de transferência de portabilidade numérica.
Ligação 1:
Falei com a atendente Fátima, que não encontrou o meu processo no sistema.
Novo protocolo nº 2010 765 54824
Ligação 2:
Caiu durante a transferência do auto-atendimento para o atendente humano.
Mais 3 tentativas de ligação onde a transferência permanecia muda.
Ligação 3:
Falei com a atendente Adriana, que afirmou que a transferência de portabilidade demora 5 dias úteis.
Caiu a ligação quando foi transferir para a área de Portabilidade.
Ligação 4:
Falei com a atendente Vilma, que transferiu para a área de portabilidade.
Atendente Carolina pediu o número do celular da Vivo do qual quero transferir a portabilidade e disse que ia transferir para a área de portabilidade (novamente).
Tranferindo... musiquinha!
Voltou para o auto-atendimento...
Digitei 1, 2, 2, etc...
Digitei meu CPF e número de telefone para contato.
“Cadastro realizado! A Claro entrará em contato em até 48 horas! A Claro agradece a sua ligação.”
Desligou a ligação.
Ligação 5:
Auto-atendimento... digitei 1, 1, 2, 2, 2... até chegar ao atendimento humano.
“Para sua segurança esta ligação será gravada” (Ufa! Estou aliviado!)
Atendimento, Roxana, pediu mais uma vez o número da Vivo que desejo transferir para a Claro... aguardando completar o meu cadastro.
“Sr. Eilor, o meu setor é o setor de pedido de acompanhamento do atendimento e loja on-line e não temos acesso ao andamento do seu processo. Por isso vou transferir sua ligação para o setor de Portabilidade e espero que seja sua última transferência de ligação (!)”.
Tranferindo... musiquinha!
Atendente Eliane do setor de pré-pago me pediu o número da linha da Vivo que desejo portabilidade para a Claro.
Aguardando um momento enquanto ela verifica...
“Desculpe Sr. Eilor como sou do setor de pré-pago, não posso verificar o processo pelo sistema e, com a sua permissão, vou transferir para o setor de portabilidade.”
Ok, estou aguardando...
Tranferindo... musiquinha!
Caiu a linha.
Ligação 6:
São agora 13h26 e o número 1052 ficou mudo. Não chama.
Opa, chamou... auto-atendimento e lá vou eu digitar 1, 1, 2, 2, 2.
Como não querem mais me dar um número novo de protocolo, vou pedir logo de cara o número nesta ligação. Senão vou ligar de outro telefone. Veremos...
Tranferindo... musiquinha!
Atendente Claudia pediu meu nome e número de telefone, etc e eu interrompi pedindo um novo número de protocolo imediatamente.
Consegui novo protocolo nº 2010 765 96730!!!
Transferindo a ligação para a área responsável por portabilidade para celulares pré-pagos...
Tranferindo... musiquinha!
Atendente Renata “O que ocorre Sr. Eilor, referente à portabilidade não faz parte desse setor (claro cartão). Por isso posso transferí-lo para o setor de portabilidade para estar verificando”.
Tranferindo... musiquinha!
Chamou uma vez...
Caiu a linha.
Nestes casos, aprendi uma lição importante, que pode ajudar todas as pessoas:
Peguei o número da ANATEL (133) para ligar e fazer a reclamação formal.
Com esta atitude, a operadora é OBRIGADA a responder e solucionar o problema do cliente em 5 dias. Caso não responda e o problema não seja resolvido, recebe uma MULTA considerável, que aumenta conforme o passar dos dias!
Para isso, é necessário ter:
- 3 números de protocolo diferentes da operadora (no meu caso a Claro) requisitando o serviço;
- Descrição completa do problema para a ANATEL dar entrada em um processo de reclamação formal.
Como já tinha os 3 números de protocolo e o meu "diário" de ligações, realizei a 7ª e última.
Ligação 7:
Vamos lá então, ANATEL! Discando 133...
“Bem vindo ao atendimento ANATEL”.
Atendente Cleiciene me pediu para contar a história toda, nome completo, as operadoras envolvidas, CEP, CPF, Endereço e telefones para contato (cadastro da ANATEL).
Eu disse que não vou passar meus celulares por que a Vivo e a Claro estão mantendo-os desligados enquanto não conseguem fazer uma simples transferência de portabilidade.
Também relatei o fato do auto-atendimento do número 1052, dos serviços de Portabilidade da Claro, não seguir as novas leis do telemarketing, negando até mesmo a opção de falar com um atendente humano em qualquer menu do auto-atendimento.
Número da solicitação de reclamação formal na ANATEL: 5165522010
Fui informado que a prestadora tem uma prazo de 5 dias úteis para resolver a prestação ou entrar em contato comigo com o status da solicitação.
“A ANATEL agradece seu contato e deseja que o senhor tenha uma boa tarde.”
“Boa tarde Cleiciene, obrigado”.
São 13 horas e 49 minutos. Terminei meu contato com a ANATEL e não consegui mais falar com o setor de Portabilidade da Claro...
*Do dicionário bem transado do Marigo:
Portabilidade = Prestação de serviço realizada por empresas incompetentes em áreas de atendimento que possuem a mesma habilidade de uma porta.
quarta-feira, abril 21, 2010
Analfabeto
Cheguei à conclusão que escrevo muito bem na maioria das linguagens humanas, mas pareço quase analfabeto para ler aquelas que não envolvem palavras.
segunda-feira, abril 19, 2010
Pelos Meus Olhos
Nos meus olhos existe alguém que você não encontra nos seus.
Se pudesse vivê-los, veria a beleza verdadeira que te sobra e quanto amor estes olhos sentem por você. Todos os dias. O tempo todo.
Encontraria tudo ao te observar. Entenderia o quanto é bonito te acordar de um sono profundo enquanto dorme sobre o meu peito. Perceberia como é elegante te ver penteando os cabelos molhados pela manhã. Ou a graça de te buscar em casa a noite e encontrá-la sorrindo atrás do portão.
Saberia, sem duvidar, nem por um segundo, do seu jeito perfeito e verdadeiro, com tanta beleza quando se movimenta. Compreenderia por que te acho tão bonita de vestido, quando se arruma para sair e passa perfume e batom, sem rodeios. Veria por que vale a pena não ter pressa quando o tempo passa rápido nos nossos compromissos.
Pelos meus olhos não há beleza maior no mundo. Nem tempo que valha apressar tanta alegria.
Veria a calma que seus lábios transmitem e a gentileza dos gestos e da pele macia durante as nossas conversas. Seria amada com meus velhos olhos uma vez mais, sem notar. E amada outra vez e novamente, ainda novamente.
Quando visse a graça das brincadeiras e sentisse seus cabelos tateando os cílios nos nossos abraços, compreenderia. E te amaria mais e mais a cada instante.
Perceberia então que qualquer defeito está apenas nos seus olhos. Não nos meus.
Juro. Pelos meus olhos.
Se pudesse vivê-los, veria a beleza verdadeira que te sobra e quanto amor estes olhos sentem por você. Todos os dias. O tempo todo.
Encontraria tudo ao te observar. Entenderia o quanto é bonito te acordar de um sono profundo enquanto dorme sobre o meu peito. Perceberia como é elegante te ver penteando os cabelos molhados pela manhã. Ou a graça de te buscar em casa a noite e encontrá-la sorrindo atrás do portão.
Saberia, sem duvidar, nem por um segundo, do seu jeito perfeito e verdadeiro, com tanta beleza quando se movimenta. Compreenderia por que te acho tão bonita de vestido, quando se arruma para sair e passa perfume e batom, sem rodeios. Veria por que vale a pena não ter pressa quando o tempo passa rápido nos nossos compromissos.
Pelos meus olhos não há beleza maior no mundo. Nem tempo que valha apressar tanta alegria.
Veria a calma que seus lábios transmitem e a gentileza dos gestos e da pele macia durante as nossas conversas. Seria amada com meus velhos olhos uma vez mais, sem notar. E amada outra vez e novamente, ainda novamente.
Quando visse a graça das brincadeiras e sentisse seus cabelos tateando os cílios nos nossos abraços, compreenderia. E te amaria mais e mais a cada instante.
Perceberia então que qualquer defeito está apenas nos seus olhos. Não nos meus.
Juro. Pelos meus olhos.
quinta-feira, abril 15, 2010
O Outro Lado da Moeda
Acertar o prumo da relação entre pais e filhos não é fácil.
Existem muitas dúvidas e nenhum manual.
Sempre que penso nessa relação me lembro da organização dos cães selvagens, os lobos, que abrigam seus filhotes na matilha até que tenham idade suficiente para a sucessão ou para iniciar seu próprio bando.
Quem cuida da cisão é a natureza.
Dois lobos alfa não podem conviver numa mesma família. É a regra. Eles brigam, batalham e, por fim, ocorre a sucessão natural ou o filhote inicia sua própria matilha. Longe fisicamente, mas não geneticamente. Um alfa.
Nada de justo ou injusto. Apenas a natureza seguindo seu curso.
Como um rio.
Não é algo fácil para os lobos, mas muito menos fácil para nós, humanos, que reservamos laços muito maiores do que os irracionais. Os instintivos.
Mais uma vez, nada de certo ou errado, justo ou injusto.
É um rio. Segue seu curso.
Existem muitas dúvidas e nenhum manual.
Sempre que penso nessa relação me lembro da organização dos cães selvagens, os lobos, que abrigam seus filhotes na matilha até que tenham idade suficiente para a sucessão ou para iniciar seu próprio bando.
Quem cuida da cisão é a natureza.
Dois lobos alfa não podem conviver numa mesma família. É a regra. Eles brigam, batalham e, por fim, ocorre a sucessão natural ou o filhote inicia sua própria matilha. Longe fisicamente, mas não geneticamente. Um alfa.
Nada de justo ou injusto. Apenas a natureza seguindo seu curso.
Como um rio.
Não é algo fácil para os lobos, mas muito menos fácil para nós, humanos, que reservamos laços muito maiores do que os irracionais. Os instintivos.
Mais uma vez, nada de certo ou errado, justo ou injusto.
É um rio. Segue seu curso.
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