Visitar o passado é uma tarefa comum a todos nós. Quem nunca recordou um momento, escutou novamente uma música ou assistiu muitas vezes um filme para experimentar quais sentimentos o acompanhariam?
Seja um local físico ou uma lembrança, tal como uma flor guardada entre as páginas de um diário ou a recordação de uma viagem, o passado remete a uma série de sentimentos. Mas seriam estes sentimentos sempre os mesmos ou estariam todos em constante mutação?
“Visitar o passado é como uma porta que se abre diante de uma estrada cheia de caminhos e, por mais que se repita a viagem, um caminho nunca será igual ao outro”.
Este é um ponto de vista semelhante ao meu e que nunca encontrei tão bem sintetizado quanto nesta frase. Isso me intriga já faz muito tempo!
Quando era pequeno e minha família decidiu demolir nossa casa no sítio em Jundiaí para construir a casa atual lembro-me de ter visitado a obra várias vezes. Numa dessas visitas ajudei os pedreiros a derrubarem uma das paredes do quarto dos meus pais. Ali seria, futuramente, o banheiro do meu próprio quarto.
Quando a parede veio abaixo num estampido seco sobre o concreto percebi, como uma criança preocupada, que havia derrubado a parede de casa. Um prego amassado que sustentava o quadro sobre a cabeceira da cama dos meus pais caíra bem perto do meu pé. Corri para casa, coloquei-o dentro de um envelope de lembranças no criado mudo e, inevitavelmente, durante várias arrumações, encontrei aquele prego novamente. Lembro-me de já ter sentido por ele compaixão, alegria, tristeza, saudades, amor, pena e, finalmente, vergonha por guardar um prego velho e enferrujado. Um prego tão velho que nem parece mais importante.
Um dia decidi jogá-lo fora. E o fiz. Naquele momento não houve sentimento. O prego já tinha sido visitado o suficiente e fora para o lixo.
Se arrependimento matasse, aquele prego ainda estaria comigo. Dei a ele um presente mais digno. Ninguém deseja ser, para sempre, um prego amassado.
Alguns anos depois, visitando o velho envelope, decidi que não queria mais saber do passado. Percebi que as pessoas que o visitam constantemente acabam se enganando em relação aos seus próprios sentimentos.
É visceral observar alguém que se depara com a sua própria história. Nunca podemos repeti-la com exatidão. Os momentos chegam até nós como numa brincadeira de telefone sem fio e quem brinca conosco é um bando torto de sentimentos.
Hoje, quando observo pessoas bebendo do riacho das “águas passadas” e sentindo-se culpadas, gosto de imaginar que decoraram um caminho sujo, longo e nebuloso demais para fazer suas visitas ao passado. E a cada visita o caminho difere do anterior. Raramente difere o suficiente para que o passado se perca ou seja deixado para trás.
Por mais que o passado pareça estático, não é.
Não é estático por que o caminho até ele muda o tempo.
Assim, uma flor em um diário não é apenas uma flor seca entre páginas de histórias.
É um caminho percorrido várias vezes.
Ida e volta.
O suficiente.
Até, enfim, torna-se apenas uma flor seca a ser retirada dali.
quinta-feira, março 03, 2011
sexta-feira, janeiro 21, 2011
terça-feira, janeiro 18, 2011
O Mundo é de Quem?
Já há muitas gerações nasceu uma máxima humana que permanece causando confusão nas nossas cabeças:
“O mundo é dos espertos”
Para ser sincero não sei dizer desde quando este pensamento existe e qual foi o responsável por disseminá-lo pela humanidade. Mas sei dizer que faz muito tempo, já que Maquiavel escreveu em seu livro “O Príncipe” - um guia sobre como governar para reis e déspotas - sua máxima: “os fins justificam os meios”, que já doava muito do seu significado à idéia inicial.
O que não percebemos a tempo é que esta foi a idéia capaz de transformar o homem no lobo do homem e que passamos a viver no verdadeiro mundo cão. Mundo onde vence o mais esperto.
O esperto é o sujeito que tira vantagem de tudo, que é malandro e leva a vida no bico. O esperto brasileiro, por exemplo, nunca foi tão bem retratado quanto pelo charmoso personagem Zé Carioca, de Walt Disney.
O papagaio que levava todos os outros personagens no bico. Era um bajulador e um encantador. Vivia fugindo dos cobradores e enganando todo mundo para levar alguma vantagem.
Agora imagine um mundo formado somente por Zé Cariocas: Pessoas que desejam chegar primeiro em todos os lugares, andar mais rápido que as filas, cobrar dos outros muito além do que estão dispostos a oferecer, ou pagar.
Não parece bom.
E não é.
Hoje fazemos parte de uma sociedade que aparenta ser muito conectada, mas que se isola por necessidade. Abrimos as portas do mundo virtual para não precisar compartilhar o que é nosso no mundo físico.
Permitimos que vejam e julguem nossas palavras, mas não os nossos gestos.
O mundo dos espertos ficou, por culpa não se sabe de quem, cheio de lixo e desconfiança. Acreditar no próximo é cada vez mais difícil e apenas as situações extremas devem ser levadas em consideração, afinal, estas chamam atenção.
Preferimos desconfiar dos governos a entendê-los. Mais ou menos como fazemos com os nossos amores também...
Somos um bando de gente que se reúne para falar mal da falta de ação dos políticos, que reclama dos desastres naturais e do trânsito nas cidades. Mas qual é o nosso papel além de reclamar?
Pois é muito fácil dizer que não importa em qual candidato votamos nas eleições, por que todos são safados. É fácil afirmar que o trânsito é caótico nas cidades e, ao mesmo tempo, depositar nossos votos em palhaços ou pegar o carro e sair fechando todo mundo para mostrar quem manda na rua.
É o mundo fácil do bullying nas escolas e faculdades.
É muito mais fácil viver estressado e não pensar direito.
Não pensar nos outros. Não pensar nem mesmo nas conseqüências de todas estas coisas que fazemos automaticamente, por que somos muito espertos!
Pensar nos outros, por sinal, não significa ficar indignado e se lamentando com as tragédias que acontecem no mundo. Ficar com pena e defender quem sofre depois que tudo acontece.
Pensar nos outros é pensar ANTES.
É aquele ato de cidadania de quem não joga lixo nas ruas, faz doações regulares para ajudar os que precisam, aceita idéias e sugestões diferentes das suas, auxilia um estranho e dá espaço para o idoso sentar no ônibus ou na fila do hospital, da mesma forma que gostaria de receber as gentilezas em retorno um dia.
É o gesto cotidiano do voluntário.
É o ato daquele que levanta a bunda do sofá e vai até lá. Ajuda, socorre e doa. Depois senta e fica quieto. Não precisa mostrar para ninguém sua indignação, apontar dedos ou recriminar quem pensa diferente.
Acho estúpido ficar comentando as coisas junto com a mídia. Reservo-me o direito de fazer minhas preces, meus votos e minhas doações em silêncio, de forma totalmente particular. Não daquela maneira espalhafatosa de quem confunde “ajudar o próximo” com “ter pena daquele pobre coitado”.
É uma coisa linda nosso mundo de Zé Cariocas, onde todos precisam tirar vantagem e depois ficam chorando as pitangas quando o mundo se estrepa.
Quem é esperto não precisa de direitos, dá um jeito;
Quem é esperto não depende de ninguém, engana;
Quem é esperto não precisa respeitar, despista;
Quem é esperto não tem palavra, tem língua;
E assim por diante...
Quem dera o mundo fosse dos justos e sensatos, não dessa horda de espertos.
segunda-feira, janeiro 03, 2011
“Por Mim e Por Você”
Remexendo a papelada, como é de praxe no começo e fim de ano, acabei encontrando um texto escrito em 28 de fevereiro de 2000.
Tempos sem Blog, quando tudo era anotado cuidadosamente e cada trabalho automaticamente impresso e perdido no meio da papelada. Eh! eh!
Época esta quando me aproveitava da “licença poética” para escrever textos cheios de rimas, das mais pobres até as mais complexas. Achei muito engraçado me deparar com este, aqui e agora.
Foi curioso conhecer mais uma vez aquele autor munido de imediatismos, repetições e drama. Mais drama do que resultado. Desabafando sem dizer nada nestas folhas cheias de rabiscos e anotações como “OK” ou “+ ou ” e montes de cortes e censuras.
Notável reencontro para o fim de um ciclo e o começo de um novo ano!
E como dez para onze anos é uma data marcante, merece comemoração.
Então voilá!
“Por mim e por você”
Todos, todos nós
Por que viver para mim,
Por que viver para você,
Por que viver?
Tudo acontece agora
Tudo explode na sua cara
E você fecha os olhos
E só abrirá quanto tudo acontecer
Mas está a acontecer agora
Agora é o fim
Agora é o começo
Você tenta entender
Mas é tão difícil!
Os olhos se abrem devagar
A luz dói
A luz o faz sofrer
Todos, todos nós
Por que viver para mim,
Por que viver para você,
Por que viver?
A luz o fere
Você sente dor por que precisa viver
É bom ver algo assim que cega como a escuridão
Ali tudo se perde
Tudo se renova aos poucos
As cores firmam sua presença
E você sabe
E eu sei
Mas apenas nós sabemos
Que a verdade está ali
A verdade alegre e imoral
E que está sendo construída agora
Todos, todos nós
Por que viver para mim,
Por que viver para você,
Por que viver?
Ela se constrói, ela acontece
Sobre suas bases vazias
Sobre nós
Ela ainda é forte, grande
Ela sobrevive
Tenta respirar mais apenas se afoga
Mas é você
Mas sou eu
Nós vivemos e veremos
Somos e seremos parte dela
E foi assim que começou
E assim vai acabar
Nós vimos
Outros verão
Irá se repetir
Assim como hoje repete o ontem
E ontem repetiu o amanhã
Outros verão
Outros viverão
E saberão o porque
Saberão viver o mundo de todos os tempos
Que é uma deliciosa verdade
E uma triste derrota
Todos, todos nós
Por que viver para mim,
Por que viver para você,
Por que viver?
Todos sabem
Ainda há o viver
Ainda há o saber
Para que viver?
Para rir e sofrer
E mesmo assim viver
Por mim e por você
Eilor Marigo 28/02/2000
Tempos sem Blog, quando tudo era anotado cuidadosamente e cada trabalho automaticamente impresso e perdido no meio da papelada. Eh! eh!
Época esta quando me aproveitava da “licença poética” para escrever textos cheios de rimas, das mais pobres até as mais complexas. Achei muito engraçado me deparar com este, aqui e agora.
Foi curioso conhecer mais uma vez aquele autor munido de imediatismos, repetições e drama. Mais drama do que resultado. Desabafando sem dizer nada nestas folhas cheias de rabiscos e anotações como “OK” ou “+ ou ” e montes de cortes e censuras.
Notável reencontro para o fim de um ciclo e o começo de um novo ano!
E como dez para onze anos é uma data marcante, merece comemoração.
Então voilá!
“Por mim e por você”
Todos, todos nós
Por que viver para mim,
Por que viver para você,
Por que viver?
Tudo acontece agora
Tudo explode na sua cara
E você fecha os olhos
E só abrirá quanto tudo acontecer
Mas está a acontecer agora
Agora é o fim
Agora é o começo
Você tenta entender
Mas é tão difícil!
Os olhos se abrem devagar
A luz dói
A luz o faz sofrer
Todos, todos nós
Por que viver para mim,
Por que viver para você,
Por que viver?
A luz o fere
Você sente dor por que precisa viver
É bom ver algo assim que cega como a escuridão
Ali tudo se perde
Tudo se renova aos poucos
As cores firmam sua presença
E você sabe
E eu sei
Mas apenas nós sabemos
Que a verdade está ali
A verdade alegre e imoral
E que está sendo construída agora
Todos, todos nós
Por que viver para mim,
Por que viver para você,
Por que viver?
Ela se constrói, ela acontece
Sobre suas bases vazias
Sobre nós
Ela ainda é forte, grande
Ela sobrevive
Tenta respirar mais apenas se afoga
Mas é você
Mas sou eu
Nós vivemos e veremos
Somos e seremos parte dela
E foi assim que começou
E assim vai acabar
Nós vimos
Outros verão
Irá se repetir
Assim como hoje repete o ontem
E ontem repetiu o amanhã
Outros verão
Outros viverão
E saberão o porque
Saberão viver o mundo de todos os tempos
Que é uma deliciosa verdade
E uma triste derrota
Todos, todos nós
Por que viver para mim,
Por que viver para você,
Por que viver?
Todos sabem
Ainda há o viver
Ainda há o saber
Para que viver?
Para rir e sofrer
E mesmo assim viver
Por mim e por você
Eilor Marigo 28/02/2000
quinta-feira, dezembro 30, 2010
Dois de Nós
É muita sorte encontrar alguém que nos faça muito felizes!
Foram 2 anos lindos que deram passagem, no último dia 27, para todos os próximos momentos que viveremos juntos.
Aprendi que um amor como este, cheio de bem querer, só pode acontecer com muita humildade e muita coragem. Coisas que são difíceis de explicar, mas que acabam sendo tão naturais quando estamos com alguém que vale a pena.
Como não sabia direito como falar sobre tudo isso e o que significa para mim, tomei coragem vinda não sei de onde (até sei! do vinho do jantar!) e cantei.
Mais ou Menos Dois
Eilor Marigo
Intro: E, A, D, A, E, A, D, D
E A G D
Eu nem sabia o que procurar, viagem, festa, farra e estudar
E A D A
Eu conheci alguém e quis saber, o porquê?
E A G D
Pedi um abrigo, um colo um coração, negado fui, renegado não
E A D A
Mas eu queria mesmo entender, o por quê?
E A
Juventude simples, muitos anos bons,
D G
Amar, deixar, voltar e por que não?
A E
Então alguém marcou com seu batom
D G
O am-or
E A G D
Passavam os anos a desencontrar, viagem, festa, farra e trabalhar
E A D A
Mas ninguém trancou o seu coração, oh não!
E
Foi quando percebi assim,
A
Que havia alguém dentro de mim,
G
Que o tempo não pôde esfriar
D
O am-or
Refrão:
A E BM G
O mundo mudo de um tempo bom, idade sem vaidade então
A E
Meu par de sapatos e o seu batom,
D G
Paixã-ão
A E Bm G
A dor aguda e um amor pagão, trancados dentro do meu coração
A E
Um par de sapatos e o seu batom,
D A
Paixã-ão
E
Liberta sim, o amor pagão
A
Renasce mesmo sem ter razão
G
Mais ou menos dois de nós
D
E o am-or
E A |
Mais ou menos dois de nós |
| 2x
D A |
E o am-or |
E A
Mais ou menos dois de nós
D A, E, A, D, A, E
E o am-or
Obrigado amor, por estes anos deliciosos que passamos juntos, grudados, apertados, tão lindos! :-)
Foram 2 anos lindos que deram passagem, no último dia 27, para todos os próximos momentos que viveremos juntos.
Aprendi que um amor como este, cheio de bem querer, só pode acontecer com muita humildade e muita coragem. Coisas que são difíceis de explicar, mas que acabam sendo tão naturais quando estamos com alguém que vale a pena.
Como não sabia direito como falar sobre tudo isso e o que significa para mim, tomei coragem vinda não sei de onde (até sei! do vinho do jantar!) e cantei.
Mais ou Menos Dois
Eilor Marigo
Intro: E, A, D, A, E, A, D, D
E A G D
Eu nem sabia o que procurar, viagem, festa, farra e estudar
E A D A
Eu conheci alguém e quis saber, o porquê?
E A G D
Pedi um abrigo, um colo um coração, negado fui, renegado não
E A D A
Mas eu queria mesmo entender, o por quê?
E A
Juventude simples, muitos anos bons,
D G
Amar, deixar, voltar e por que não?
A E
Então alguém marcou com seu batom
D G
O am-or
E A G D
Passavam os anos a desencontrar, viagem, festa, farra e trabalhar
E A D A
Mas ninguém trancou o seu coração, oh não!
E
Foi quando percebi assim,
A
Que havia alguém dentro de mim,
G
Que o tempo não pôde esfriar
D
O am-or
Refrão:
A E BM G
O mundo mudo de um tempo bom, idade sem vaidade então
A E
Meu par de sapatos e o seu batom,
D G
Paixã-ão
A E Bm G
A dor aguda e um amor pagão, trancados dentro do meu coração
A E
Um par de sapatos e o seu batom,
D A
Paixã-ão
E
Liberta sim, o amor pagão
A
Renasce mesmo sem ter razão
G
Mais ou menos dois de nós
D
E o am-or
E A |
Mais ou menos dois de nós |
| 2x
D A |
E o am-or |
E A
Mais ou menos dois de nós
D A, E, A, D, A, E
E o am-or
Obrigado amor, por estes anos deliciosos que passamos juntos, grudados, apertados, tão lindos! :-)
segunda-feira, dezembro 27, 2010
Você, Eu e um Feliz 2011!
Minha receita de todos os anos é única.
Acompanham o prato principal da virada de ano: Uma porção de reflexões, iscas de nostalgia e uma série de sensações regadas com um leve sentimento de passagem.
Parece bonito quando dito assim, mas todo final de ano representa uma passagem sincera e calculada. Aí sai de cena o ‘Eu doismiledez’ para entrar aquele ‘Eu dois mil e onze’ no lugar. Zerinho! Novinho em folha!
Não postei no Blog minha passagem de Natal. Pelo contrário, esperei que o meu ‘Eu dois mil e onze’ surgisse para dar as boas vindas e fazer os votos de um ano melhor para todos vocês, amigos e leitores.
Então resolvi trazer aqui a música que me inquietou durante o último mês. Aquela que me ajudou a me reformular todo.
Ain’t No Reason (Não há razão), da Brett Dennen, fala sobre tudo o que poderíamos e deveríamos mudar para termos um mundo melhor, mas que o dia a dia e nossa própria comodidade não permitem enxergar direito.
E isso tudo me fez pensar...
Será que a cada ano as nossas versões novinhas em folha são, em essência, muito melhores que as anteriores?
Há renovação das nossas atitudes e da nossa consciência?
Por isso meus desejos estão aí, desde o princípio dessa música até o fim deste post...
There ain't no reason things are this way
Não há razão para as coisas serem assim
Its how they always been and it tends to stay
É como sempre foram e tendem a permanecer
I can't explain why we live this way, we do it everyday
Não posso explicar por que vivemos desse jeito, fazemos isso todos os dias
Preachers on the podium speaking of saints
Pastores no púlpito falando sobre santos
Prophets on the sidewalk begging for change
Profetas nas calçadas pedindo por mudança
Old ladies laughing from the fire escape, cursing my name
Senhoras velhas rindo na saída de incêndio, amaldiçoando meu nome
I got a basket full of lemons and they all taste the same
Tenho uma cesta cheia de limões e todos têm o mesmo gosto
A window and a pigeon with a broken wing
Uma janela e uma pomba com uma asa quebrada
You can spend you whole life working for something,
Você pode gastar toda sua vida trabalhando por algo,
Just to have it taken away
Apenas para que seja tirado de você
People walk around pushing back their debts
Pessoas andam por aí empurrando suas dívidas
Wearing pay checks like necklaces and bracelets
Usando cheques de pagamento como colares e braceletes
Talking bout nothing, not thinking bout death
Falando sobre nada, nunca pensando sobre morte
Every little heartbeat, every little breath
Cada batidinha do coração, cada curta respiração
People walk a tight rope
Pessoas andando sobre uma corda esticada
On a razors edge
Sobre pontas de lâminas
Carrying their hurt and hatred and weapons
Carregando suas dores e ódio e armas
It could be a bomb or a bullet or a pen,
Poderia ser uma bomba ou uma bala ou uma caneta,
Or a thought or a word or a sentence
Ou um pensamento ou uma palavra ou uma sentença
There ain't no reason things are this way
Não há razão para as coisas serem assim
It's how they've always been and its tends to stay
É como sempre foram e tendem a permanecer
I don’t know why I say the things that I say
Não sei por que digo as coisas que digo
But I say them anyway
Mas eu digo de qualquer maneira
But love will come set me free
Mas o amor virá me libertar
Love will come set me free, I do believe
O amor virá me libertar, eu acredito nisso
Love will come set me free, I know it will
O amor virá me libertar, eu sei que ele virá
Love will come set my free, yes.
O amor virá me libertar, sim.
Prison walls still standing tall
Os muros da prisão continuam altos
Some things never change at all
Algumas coisas nunca mudam
Keep on building prisons, gonna fill them all
Continue construindo prisões, irá enchê-las todas
Keep on building bombs, gonna drop them all
Continue construindo bombas, irá soltá-las todas
Working young fingers bear to the bone
Dedos jovens trabalhando até o osso
Breaking your back, make you sell your soul
Quebrando suas costas, o fazem vender sua alma
Like a lung it’s filled with cold, suffocating slow
Como um pulmão cheio de frio, sufocando devagar
The wind blows wild and I may move
O vento sopra forte e eu posso mudar
The politicians lie and I am not fooled
Os políticos mentem, mas não me enganam
You don't need no reason or a three piece suit
Você não precisa de uma razão ou um traje completo
To argue the truth
Para questionar a verdade
The air on my skin and the world under my toes
O ar na minha pele e o mundo sob meus pés
Labor is stitched into the fabric of my clothes
Escravidão costurada na fábrica das minhas roupas
Chaos and commotion wherever I go
Caos e comoção onde quer que eu vá
Love I try to follow
E eu tento seguir o amor
Love will come set me free
O amor virá me libertar
Love will come set me free, I do believe
O amor virá me libertar, eu acredito nisso
Love will come set me free, I know it will
O amor virá me libertar, eu sei que ele virá
Love will come set me free, yes.
O amor virá me libertar, sim
There ain't no reason things are this way
Não há razão para as coisas serem assim
It’s how it’s always been and it tends to stay
É como sempre foram e tendem a permanecer
I can't explain why we live this way,
Não posso explicar por que vivemos desse jeito,
We do it everyday...
Fazemos isso todos os dias...
Os dias iguais não estão trazendo anos melhores,
Meu desejo é que você mude.
As pessoas vêm e vão e machucam seu coração,
Meu desejo é que você mude.
O amor está difícil de encontrar, instável,
Meu desejo é que você mude.
Se precisar de alguém que apóie suas mudanças,
Conte comigo.
Desejo pessoas melhores para o nosso ano. Não apenas um ano melhor para as pessoas que amo!
Feliz você novo em 2011!
segunda-feira, dezembro 20, 2010
A Peça
Fui ao teatro assistir “Tebas”, prestigiar um amigo que atuou.
Grande espetáculo do começo ao fim, merecedor dos muitos minutos que permanecemos, todos, aplaudindo de pé na platéia.
Tratava de uma série de tragédias gregas encenadas por alunos do curso de teatro da Universidade de São Paulo, com todas as genialidades que a formação, a experimentação e a falta de dinheiro provocam numa peça de teatro.
Acho incrível. Muito mais recheado de boas idéias do que qualquer superprodução da Broadway.
Como a maioria das peças acadêmicas esta foi uma apresentação aberta ao público, onde bastava retirar uma senha para assistir. Não foi cobrado ingresso. Porém, também como é de praxe, ao atores “passaram o chapéu” na saída pedindo qualquer ajuda que pudéssemos dar a fim de custear figurinos, ensaios, materiais de cena, etc.
Fiquei um pouco chateado por ter ali menos de R$50,00 em dinheiro na carteira. Fui à peça com minha namorada e achei que seria muito mais justo pagar um valor relevante por aqueles 130 minutos de excelentes montagens, de boas atuações, dos figurinos cuidadosamente trabalhados e da coragem dos atores, todos.
Saquei da minha carteira R$20,00 que tinha trocado na hora e depositei na cesta que um dos atores segurava. Enquanto isso os demais entoavam e dançavam canções ao deus Baco do lado de fora do teatro.
Foi quando percebi que a cesta estava recheada de moedas e notas de R$2,00, com alguns poucos ainda depositando seus trocados.
De verdade, isso me deixou bastante indignado!
Uma peça muito melhor que algumas das mais caras que já fui! R$130,00 por um assento para assistir Miss Saigon no Brasil e posso afirmar que a peça daqueles alunos deu de dez a zero na superprodução.
E vejo nossos artistas ainda em formação, todos bons artistas, alguns excelentes, sendo pagos com o trocado da carteira, o troco do lanche do jantar. Desculpas existem de monte. Mas tanta gente bem vestida por ali... No estacionamento reparei tantos carros tão melhores que o meu.
Se todas as 125 pessoas do teatro lotado depositaram ali seus míseros R$2,00, então a noite rendeu R$250,00, o que imagino que não pague nem metade daqueles figurinos muito bem acabados. Quanto mais sobrar qualquer coisa para os aproximadamente 20 atores que trabalharam na peça.
Lembrando ainda que são estudantes. Imaginem o apoio que sentem à carreira ao perceber que todo seu trabalho foi avaliado em R$2,00 pela platéia. E tanta gente que reclama que teatro é caro, que no Brasil não existe a cultura do teatro!
Também, pudera!
É preciso muito amor à arte...
Ainda sobre a peça só há uma coisa a acrescentar: Bravo, tebanos!
Grande espetáculo do começo ao fim, merecedor dos muitos minutos que permanecemos, todos, aplaudindo de pé na platéia.
Tratava de uma série de tragédias gregas encenadas por alunos do curso de teatro da Universidade de São Paulo, com todas as genialidades que a formação, a experimentação e a falta de dinheiro provocam numa peça de teatro.
Acho incrível. Muito mais recheado de boas idéias do que qualquer superprodução da Broadway.
Como a maioria das peças acadêmicas esta foi uma apresentação aberta ao público, onde bastava retirar uma senha para assistir. Não foi cobrado ingresso. Porém, também como é de praxe, ao atores “passaram o chapéu” na saída pedindo qualquer ajuda que pudéssemos dar a fim de custear figurinos, ensaios, materiais de cena, etc.
Fiquei um pouco chateado por ter ali menos de R$50,00 em dinheiro na carteira. Fui à peça com minha namorada e achei que seria muito mais justo pagar um valor relevante por aqueles 130 minutos de excelentes montagens, de boas atuações, dos figurinos cuidadosamente trabalhados e da coragem dos atores, todos.
Saquei da minha carteira R$20,00 que tinha trocado na hora e depositei na cesta que um dos atores segurava. Enquanto isso os demais entoavam e dançavam canções ao deus Baco do lado de fora do teatro.
Foi quando percebi que a cesta estava recheada de moedas e notas de R$2,00, com alguns poucos ainda depositando seus trocados.
De verdade, isso me deixou bastante indignado!
Uma peça muito melhor que algumas das mais caras que já fui! R$130,00 por um assento para assistir Miss Saigon no Brasil e posso afirmar que a peça daqueles alunos deu de dez a zero na superprodução.
E vejo nossos artistas ainda em formação, todos bons artistas, alguns excelentes, sendo pagos com o trocado da carteira, o troco do lanche do jantar. Desculpas existem de monte. Mas tanta gente bem vestida por ali... No estacionamento reparei tantos carros tão melhores que o meu.
Se todas as 125 pessoas do teatro lotado depositaram ali seus míseros R$2,00, então a noite rendeu R$250,00, o que imagino que não pague nem metade daqueles figurinos muito bem acabados. Quanto mais sobrar qualquer coisa para os aproximadamente 20 atores que trabalharam na peça.
Lembrando ainda que são estudantes. Imaginem o apoio que sentem à carreira ao perceber que todo seu trabalho foi avaliado em R$2,00 pela platéia. E tanta gente que reclama que teatro é caro, que no Brasil não existe a cultura do teatro!
Também, pudera!
É preciso muito amor à arte...
Ainda sobre a peça só há uma coisa a acrescentar: Bravo, tebanos!
sexta-feira, dezembro 10, 2010
A Partilha
Certa vez acompanhei um experimento muito curioso.
Trancaram numa sala um grupo de pessoas e um bolo grande e enfeitado. Bem caprichado, daqueles que parecem combinar tudo o que há de bom.
Tudo estava bem por ali. Ninguém estava chateado comendo aquele bolo delicioso, cada um pegava um pedaço atrás do outro e todos brincavam e sorriam em volta da mesa.
Durante muito tempo foi assim.
Então alguém esticou a mão para pegar um pedaço e afirmou gravemente:
- O bolo acabou!
- Como assim acabou? – perguntaram juntos todos os outros.
- É isso mesmo, vejam! O bolo acabou! – afirmou atônito o primeiro.
Então foi uma confusão dos diabos.
As pessoas não podiam acreditar naquilo! O bolo deliciosamente preparado para elas havia terminado! Como poderia ter acontecido isso?
Naquele momento alguém levantou da mesa, apontou o dedo para uma das outras faces e bradou:
- Foi você! Eu sempre soube! – Gritou com o sangue aparente pulsando na testa avermelhada – Foi você quem comeu mais pedaços e acabou com o nosso bolo!
- Eu não! – Respondeu assustado o acusado que se tremia inteiro – Comi tanto bolo quanto qualquer um aqui!
- É mentira! – Afirmou outro quase em desespero - Eu comi apenas um pedaço de bolo enquanto conversava aqui com meu amigo. Não é justo! Eu mal senti o gosto dele! Nunca me deixaram comer deste bolo!
Instalou-se a confusão.
Todos estavam gritando. Um dos rapazes, mais forte, teve ganas de quebrar o pescoço do acusado ou de qualquer um que tivesse comido mais de dois pedaços! Foram precisos dois para segurá-lo enquanto outros fugiam.
Muitas pessoas choravam compulsivamente pelo fim do bolo. Diziam que nunca mais haveria outra coisa para fazer naquela sala.
Fizeram gritos de guerra e um pequeno grupo se reuniu no fundo da sala com cartolina e canetas, que rabiscavam violentamente criando cartazes com ameaças de morte aos que comeram o bolo.
Instalou-se um inquérito.
Aqueles de veia investigativa recolhiam pratos e bandejas e analisavam as evidências. Outros criaram uma comissão para decidir qual deles estava habilitado para se tornar um juiz imparcial dos fatos.
Em menos de alguns minutos formou-se uma forte oposição! Já haviam instalado uma CPI sobre o inquérito que, diziam, havia sido manipulado.
Alguém se juntou a mais três e formaram um exército que ainda não sabia para quem trabalhar.
Muitos se acusavam e, durante uma briga, houve um ferimento no olho. Um médico entre eles estava sendo requisitado com urgência.
Outros já não se lembravam mais o motivo da bagunça, mas aproveitaram o embalo para reclamar que por ali não havia condições dignas para ficar.
Todos desconfiavam de todos. Todo mundo se sentia lesado e no direito de receber seu pedaço. Ninguém queria abrir mão da sua parte!
Não perceberam que lutavam pelo ideal do bolo. Brigavam agora pela parte que deveriam ter recebido daquele bolo que um dia existiu. E não mais.
Havia tantos motivos para discutir e tão poucos para fazê-los parar.
Àquele bolo esquecido misturava-se rancor e amor.
E já não sobravam nem migalhas pelas quais brigar.
“As pessoas defendem seus interesses mais ferozmente que os seus direitos” – Napoleão Bonaparte
Trancaram numa sala um grupo de pessoas e um bolo grande e enfeitado. Bem caprichado, daqueles que parecem combinar tudo o que há de bom.
Tudo estava bem por ali. Ninguém estava chateado comendo aquele bolo delicioso, cada um pegava um pedaço atrás do outro e todos brincavam e sorriam em volta da mesa.
Durante muito tempo foi assim.
Então alguém esticou a mão para pegar um pedaço e afirmou gravemente:
- O bolo acabou!
- Como assim acabou? – perguntaram juntos todos os outros.
- É isso mesmo, vejam! O bolo acabou! – afirmou atônito o primeiro.
Então foi uma confusão dos diabos.
As pessoas não podiam acreditar naquilo! O bolo deliciosamente preparado para elas havia terminado! Como poderia ter acontecido isso?
Naquele momento alguém levantou da mesa, apontou o dedo para uma das outras faces e bradou:
- Foi você! Eu sempre soube! – Gritou com o sangue aparente pulsando na testa avermelhada – Foi você quem comeu mais pedaços e acabou com o nosso bolo!
- Eu não! – Respondeu assustado o acusado que se tremia inteiro – Comi tanto bolo quanto qualquer um aqui!
- É mentira! – Afirmou outro quase em desespero - Eu comi apenas um pedaço de bolo enquanto conversava aqui com meu amigo. Não é justo! Eu mal senti o gosto dele! Nunca me deixaram comer deste bolo!
Instalou-se a confusão.
Todos estavam gritando. Um dos rapazes, mais forte, teve ganas de quebrar o pescoço do acusado ou de qualquer um que tivesse comido mais de dois pedaços! Foram precisos dois para segurá-lo enquanto outros fugiam.
Muitas pessoas choravam compulsivamente pelo fim do bolo. Diziam que nunca mais haveria outra coisa para fazer naquela sala.
Fizeram gritos de guerra e um pequeno grupo se reuniu no fundo da sala com cartolina e canetas, que rabiscavam violentamente criando cartazes com ameaças de morte aos que comeram o bolo.
Instalou-se um inquérito.
Aqueles de veia investigativa recolhiam pratos e bandejas e analisavam as evidências. Outros criaram uma comissão para decidir qual deles estava habilitado para se tornar um juiz imparcial dos fatos.
Em menos de alguns minutos formou-se uma forte oposição! Já haviam instalado uma CPI sobre o inquérito que, diziam, havia sido manipulado.
Alguém se juntou a mais três e formaram um exército que ainda não sabia para quem trabalhar.
Muitos se acusavam e, durante uma briga, houve um ferimento no olho. Um médico entre eles estava sendo requisitado com urgência.
Outros já não se lembravam mais o motivo da bagunça, mas aproveitaram o embalo para reclamar que por ali não havia condições dignas para ficar.
Todos desconfiavam de todos. Todo mundo se sentia lesado e no direito de receber seu pedaço. Ninguém queria abrir mão da sua parte!
Não perceberam que lutavam pelo ideal do bolo. Brigavam agora pela parte que deveriam ter recebido daquele bolo que um dia existiu. E não mais.
Havia tantos motivos para discutir e tão poucos para fazê-los parar.
Àquele bolo esquecido misturava-se rancor e amor.
E já não sobravam nem migalhas pelas quais brigar.
“As pessoas defendem seus interesses mais ferozmente que os seus direitos” – Napoleão Bonaparte
sábado, dezembro 04, 2010
Anedotas de um Namoro #4
Anedotas de um Namoro #3
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