quarta-feira, setembro 03, 2008

Que não cessa

Ao zero, nasci de dois
Do amor de mãe
Do abraço de pai
Aos dois cresci como um raio

Aos dez eram os sonhos
Ser piloto e astronauta
Viver num desenho animado
Brincar para sempre de ser rei

Dos quinze a força bruta
Os medos do sentimento
Do terrorismo emocional
A bomba de atitude e a dor de amor

Na locomotiva sem rumo dos vinte
Surgiram as respostas e as responsabilidades
As alegrias do amor novato, porém maduro
Os sonhos da vida em comum

Vinte e cinco chegam com esperança
Sucesso e rumo planejados sem grafite
Conquista de um mundo mais justo
Um mundo meu comigo mesmo, tolerante

O resto transborda pelos cantos
No prato raso das previsões
Quero ver mais erros e acertos
Menos reações tardias

Depois, a sabedoria que permite
Que deixa crer e compreender
A ampulheta do tempo que não cessa
Que gira essa cabeça tantos graus

Que não cessa
Não cessa
Jamais

quarta-feira, agosto 27, 2008

Ritmo Patético

Piuíííííííííííííííííí

Trabalho, almoço, casa
Trabalho, almoço, casa
Trabalho, almoço, casa
Trabalho, almoço, casa
Trabalho, almoço, casa

Dling, dling, dling, dling, dling

Estação final
de semana

Piuíííííííííííííííííí

Trabalho, almoço, casa
Trabalho, almoço, casa
Trabalho, almoço, casa
Trabalho, almoço, casa
Trabalho, almoço, casa

sexta-feira, agosto 22, 2008

A Correnteza da Chuva

As gotas da chuva baixam meus cabelos
Os pelos dos braços teimam em se arrepiar
Sinto cada passo dos pés calejados
E o couro do sapato que cerra tais pés cansados

Deixo a água escorrer nos olhos inchados
Com o peito cheio empurro o vento

Ensabôo os pensamentos o quanto posso
Iludindo em rimas e buscando mais tempo
Para que a correnteza da chuva leve consigo
O cansaço dos dias e do pensamento

segunda-feira, agosto 18, 2008

Esquece

De que adianta guardar coisas?
Colocar bons livros na caixa
A partitura na gaveta
Entardecer o dia mais cedo

Guardar é temporário
Guardar para sempre é esconder
E esconder é errado

As coisas devem ser vivas
Devem ter movimento
Caminhar nas mãos e no tempo

Quem esconde acha que guarda
E quem guarda esconde o tempo

sábado, agosto 16, 2008

Comédia Cotidiana

Esta semana peguei um ônibus para o trabalho e escutei esta conversa. Ao contrário do que minha mãe me ensinou...

Homem sentado no fundo do ônibus, falando ao celular:

- É... o Cesar disse que ia pagar essa semana...
- Sim, é bom! Afinal tenho que pagar a pensão...
- É isso ou tem que usar a pulseira de prata né!
- É... pulseira de prata, conhece... rárárárá.
- Eu sei meu amor, eu pago a pensão para ela mas eu te amo viu.
- ...Vou ser um bom pai sim, meu amor... se não for também vou pagar pensão para você, não fica com medo não, eu pago direitinho, você sabe!
- Eu sei, eu sei... também te amo viu!


Obrigado São Paulo por mais essa experiência!

quarta-feira, junho 11, 2008

Barulho

Ouvi um ruído rasgado na madrugada e pela janela lancei meu ouvido contra o vento.
Desci as escadas correndo do escuro enquanto comprimia os lábios e rosnava.
Balancei para os lados tentando tocar algo, tateando o ar e o pano molhado de suor.
Corri dos seres assustadores, desconhecendo o que me perseguia durante aquela noite.
Desesperado, a me debater, busquei salvação num esconderijo profundo.
Mas o ruído perseguia meus ouvidos e não pude mais suportar aquele pavor.
De um pulo me revelei de antes escondido e libertei toda a fúria do despertar.
Cambaleei ainda zonzo por me levantar tão depressa e de todo o susto que me afligia.
Pesadelo descabido!
Ainda bem, havia terminado.

sexta-feira, maio 30, 2008

Sucesso

O que é sucesso para você?

Questione-se a respeito agora mesmo.

Você tem sucesso na vida? Terá um dia?

Quais são os passos essenciais para ter sucesso?

Não tenho respostas.

Tenho dúvidas.

quarta-feira, maio 28, 2008

Declaração de amor

Escrita hoje de manhã à minha namorada:

"Se formos calcular o ROI do nosso namoro, o lucro sobrepõe com grande margem o investimento e as intempéries relacionadas às diversidades dos players envolvidos".

Ossos do ofício... c'est la vie!

sexta-feira, maio 02, 2008

Quando a chuva não é triste

Nesses dias de chuva, muito melancólicos, é comum deixar um pouco de lado a diversão e cultuar a preguiça, ficar em casa para descansar e saborear umas iguarias “engordativas” para variar.

Mas no dia de hoje a chuva não estava assim tão triste e preguiçosa.

Acordei cedo no feriado, peguei a mochila e desci o elevador rumo ao lar-doce-lar. Blusa de lã e jaqueta pesada para o frio. Fechei o zíper até a gola levantada, enganchei o iPod no ouvido e saí sob a chuva pesada até o ponto de ônibus.

Desci na Avenida Faria Lima cantarolando umas canções irlandesas que escutava, aproveitando para andar mais devagar, já que a chuva naquele momento era quase uma garoa.

Parei no Starbucks e pedi um Doce de Leite Latte gigante (500Ml!) para aquecer aquele frio medonho. Durante o preparo puxei um excelente papo com a dupla de atendentes dali, que são sempre muito bacanas. Conversamos por um bom tempo sobre o movimento da loja, nomes estranhos difíceis de escrever nos copos (o meu, no caso) e deixei meu cartão para a rede de networking do Starbucks. Sim! Querem fazer uma rede de networking com os clientes. Como Starbucks é para mim um símbolo de inovação, me prontifiquei a participar.

Saí sem cantarolar, mas ocupado com aquele café da manhã apetitoso.

Fiquei comigo até chegar em casa, uns 15 minutos depois, imaginando toda a sorte de pensamentos. Me diverti muito, descansei e progredi em relação a alguns problemas.

Foi bom esse tempo de chuva sem moleza. Agora espero até que o tempo abra com parcimônia, sem tanto entusiasmo, para ter mais um pouco dessa sorte. Para passar mais um tempo bom de chuva comigo.

Introspecção sem tristeza, só falta a gaita de foles!

terça-feira, abril 29, 2008

Virada Cultural

É impressionante ver tantos jovens cruzando a São João ao mesmo tempo. Pares de olhos buscando as informações no folheto, jogando conversa fora, fumando cigarros e bebendo vinho. Tudo bem passado, no meio da madrugada.

O primeiro impacto é visual e, para os olhos mais audazes, não termina no modo de vestir. Há também o jeito de caminhar, a expressão dos olhares que aprovam e reprovam das tribos urbanas.

Os ainda mais atentos percebem as tribos também por seus diferentes ruídos, a forma de se tocar e comunicar, o cheiro das roupas e dos perfumes leves ou pesados. É incrível para quem nota a mistura que não homogeneíza de jeito nenhum, mas que se aceita.

E a explosão cultural de todos os gostos, artistas de tantas épocas naquelas avenidas que nos fazem chorar, rir e dançar nas frases ambíguas. Refletem as ideologias e as estranhezas.
Tudo naquela multidão que causa pavor em alguns, mas que não oferece risco para a maioria. É sarcástica mas piedosa.

Mas o impressionante mesmo é deixar de lado os motivos e observar a naturalidade dos beijos, das danças dos pares, das rodas de conversa dos jovens e da noite que parece não acabar.

Esse foi um retrato pessoal da Virada Cultual em São Paulo, nos dias 26 e 27 de Abril.
Um retrato que será sempre branco e preto na leitura, por ser tão colorido na realidade.