Tem uma mulher que mora na minha casa
Mas não é apenas minha mãe
É mãe de todos
Quem a conhece sabe do que estou falando
Só quem já comeu feijoada com couve bem refogada
Quem já dormiu e acordou com um sorridente bom dia
Acorda sempre antes que todo mundo, que fique claro
É mãe do Victor, do Davi e da Ni
É mãe da gente
Mãe do mundo muitas vezes
E, sabendo do gênio que tem, é bom que goste de todos
Já subiu em árvore e andou em carrinho de rolimã
Me viu pular de asa-delta e montou legos comigo
Pregou peças em todos os filhos e fez festas surpresa
É aquela que até a nora chama de tia
Tia Ma
E não há quem não se lembre de mandar um beijo para ela
Não há quem se esqueça, nem por um minuto, da tia Ma
É a mãe de todos
E quem sempre tem amor no bolso
Sei que falo por todos os filhos quando digo
Te amo tia Ma!
terça-feira, junho 30, 2009
Coexistência
Há dias que existem
Outros apenas coexistem
Às vezes penso nos dias que não se foram
Nas coisas que não aconteceram
E também nas que não vão acontecer
No outro eu que não sou eu
Nas ruas que atravessaria onde hoje existem praças
O que não gosto de fazer, como se gostasse
Nas montanhas que escalei e rios navegados
Todos na minha coexistência
Há tanta impotência no ato de coexistir
Tanta falta que poderia fazer quem não conhecemos
Todos os lugares que habitamos sem sair de casa
Ter conversas sobre assuntos proibidos
Com pessoas de quem nem mesmo sabemos
Tempos vindouros que não chegarão
E guerras passadas que não lutamos
Mas e se tivéssemos lutado?
Há tanta saudade na coexistência
E quer saber o que mais?
Não vale a pena coexistir
Outros apenas coexistem
Às vezes penso nos dias que não se foram
Nas coisas que não aconteceram
E também nas que não vão acontecer
No outro eu que não sou eu
Nas ruas que atravessaria onde hoje existem praças
O que não gosto de fazer, como se gostasse
Nas montanhas que escalei e rios navegados
Todos na minha coexistência
Há tanta impotência no ato de coexistir
Tanta falta que poderia fazer quem não conhecemos
Todos os lugares que habitamos sem sair de casa
Ter conversas sobre assuntos proibidos
Com pessoas de quem nem mesmo sabemos
Tempos vindouros que não chegarão
E guerras passadas que não lutamos
Mas e se tivéssemos lutado?
Há tanta saudade na coexistência
E quer saber o que mais?
Não vale a pena coexistir
segunda-feira, junho 08, 2009
Os Dias
Existem dias muito bons
Dias de lareira queimando
De bons vinhos nos copos
Dias de bem dizer as pessoas
Que aquecem todas as casas
Existem dias de tempo gelado
Dias de bater os dentes
De pouca comida na mesa
Dias de reclamar um pouco
Que amolecem a paciência
Existem todos os dias comuns
Dias da semana inteira
De calor ou de frio intensos
Dias que só um amor pode curar
Que trazem sorte ou azar
Todos os dias são dias assim
Assim ou assado, hoje ou amanhã
Mas que saibamos escolher os temperos
O vinho que dá gosto à noite
E os amores para aquecer o frio
De hoje e de amanhã
Por todos os dias de nossas vidas
Dias de lareira queimando
De bons vinhos nos copos
Dias de bem dizer as pessoas
Que aquecem todas as casas
Existem dias de tempo gelado
Dias de bater os dentes
De pouca comida na mesa
Dias de reclamar um pouco
Que amolecem a paciência
Existem todos os dias comuns
Dias da semana inteira
De calor ou de frio intensos
Dias que só um amor pode curar
Que trazem sorte ou azar
Todos os dias são dias assim
Assim ou assado, hoje ou amanhã
Mas que saibamos escolher os temperos
O vinho que dá gosto à noite
E os amores para aquecer o frio
De hoje e de amanhã
Por todos os dias de nossas vidas
segunda-feira, maio 25, 2009
O Passado
O passado está em seu devido lugar, no tempo ao qual pertence. Torna-se história todos os dias.
Boas histórias, más histórias.
É aquele tempo que guarda algumas decisões corretas e, invariavelmente, todas as escolhas erradas. Também sobrevive nas escolhas não feitas, pois as decisões fazem parte apenas do presente.
Nunca é tarde demais para aprender com os problemas do passado e nunca é realmente cedo demais para superá-los. Essa é a alternativa para permitir-se um futuro realmente bom.
Assombrações estão à nossa volta o tempo todo.
Erros não superados. Eles podem doer, incomodar, chatear, ferir a quem se ama, manchar o futuro, corroer o presente, esse escritor com mãos incontroláveis e com fome de criar, enfim... podem tudo, conforme nossas escolhas.
E se podemos escolher quais partes do passado farão parte do nosso presente, e também do nosso futuro, me pergunto se vale à pena punir-se por ele, ou usá-lo para punir?
Não importa o que veio antes, desde que nosso coração saiba escolher hoje o que realmente desejamos levar conosco daqui para frente.
Boas histórias, más histórias.
É aquele tempo que guarda algumas decisões corretas e, invariavelmente, todas as escolhas erradas. Também sobrevive nas escolhas não feitas, pois as decisões fazem parte apenas do presente.
Nunca é tarde demais para aprender com os problemas do passado e nunca é realmente cedo demais para superá-los. Essa é a alternativa para permitir-se um futuro realmente bom.
Assombrações estão à nossa volta o tempo todo.
Erros não superados. Eles podem doer, incomodar, chatear, ferir a quem se ama, manchar o futuro, corroer o presente, esse escritor com mãos incontroláveis e com fome de criar, enfim... podem tudo, conforme nossas escolhas.
E se podemos escolher quais partes do passado farão parte do nosso presente, e também do nosso futuro, me pergunto se vale à pena punir-se por ele, ou usá-lo para punir?
Não importa o que veio antes, desde que nosso coração saiba escolher hoje o que realmente desejamos levar conosco daqui para frente.
quarta-feira, abril 01, 2009
O Encontro
Deparei-me num pedaço da vida
Com alguém que agradou o tempo todo
Toda a pressa e a busca que pareciam perdidas
Encontraram neste alguém
A paz de um lar
Na saudade que às vezes emergia
Escondeu-se um amor de filme
Guardado por alguém que nunca desistiu
Que acreditou que esse tempo chegaria
Acreditou em nós
Hoje tenho todo o tempo do mundo
E a pessoa mais bonita
Mandei embora a pressa e a procura
Ficaram o desejo e a felicidade
Vieram com o mais bonito amor
Que há tantos anos é eterno
E aquela amizade incondicional
Não podia gerar fruto melhor
Não podia ter mais sabor
Do que a promessa de amor que é escrita
E dita, repetida
Todos os dias nos nossos olhares
Com alguém que agradou o tempo todo
Toda a pressa e a busca que pareciam perdidas
Encontraram neste alguém
A paz de um lar
Na saudade que às vezes emergia
Escondeu-se um amor de filme
Guardado por alguém que nunca desistiu
Que acreditou que esse tempo chegaria
Acreditou em nós
Hoje tenho todo o tempo do mundo
E a pessoa mais bonita
Mandei embora a pressa e a procura
Ficaram o desejo e a felicidade
Vieram com o mais bonito amor
Que há tantos anos é eterno
E aquela amizade incondicional
Não podia gerar fruto melhor
Não podia ter mais sabor
Do que a promessa de amor que é escrita
E dita, repetida
Todos os dias nos nossos olhares
quarta-feira, março 18, 2009
Viver tem Fronteiras
Estive pensando sobre o último comercial da operadora de telefonia TIM, tão comentado pelos meus amigos e amantes do marketing:
Sem dúvida é uma propaganda muito bem produzida e, mais ainda, motivadora. Carrega um tema que gosto nas propagandas: Revolução.
Porém hoje vi os argumentos deste vídeo com outros olhos. Questionei de verdade todas as mudanças que foram aí apresentadas:
- Um presidente negro com nome mulçumano dirigindo o país mais poderoso do mundo;
- O principal jogador de futebol do Brasil é uma mulher;
- O Papa utiliza a Internet para fazer os seus sermões;
- O prêmio de melhor filme foi para Bollywood, não para Hollywood;
- Qualquer pessoa pode carregar sua própria rede.
Achei incrível como o conjunto redação, imagens e trilha sonora dessa propaganda ilustram perfeitamente meu ponto de vista a respeito do momento em que vivemos hoje.
O conjunto de fatores pouco casuais como o de um presidente negro assumir o governo Norte Americano, o Papa utilizar a Internet para transmitir sua palavra ou um filme indiano receber o Oscar me parecem muito lógicos, não me surpreenderam mesmo quando recebi estas notícias pela primeira vez.
O que me motivou a pensar em tudo isso, na verdade, foi o que aconteceu depois, aqui no mundo real:
Barak Obama briga para impulsionar mais uma mudança no orçamento dos Estados Unidos em busca de salvação para outra seguradora privada à beira da falência.
Mais uma vez o Papa afirma que “a camisinha não é a solução para o problema da AIDS na África”.
Os atores que representaram a fase infantil dos astros do filme “Quem quer ser um milionário” foram recebidos como reis na FAVELA onde moram na Índia.
O governo acaba de lançar medidas controversas para garantir mais segurança aos torcedores nos estádios.
É... tudo mudou bastante!
Cada vez mais me parece que estamos muito deslumbrados com as inovações tecnológicas, com o fato de que “QUALQUER pessoa pode carregar sua própria rede”, para percebermos o que realmente precisa mudar no nosso mundo.
Na propaganda a trilha sonora começa vibrante como o amanhecer de um novo dia, de um tempo promissor, cheio de mudanças... e então parece desistir no meio do caminho em um tom morno. Não vinga!
É assim que o mundo vai lembrar da minha famosa geração Y?
Já temos uma crise para provar que nossos modelos estão ultrapassados;
E a força da tecnologia para levar nossa voz e nosso conhecimento além dos limites físicos;
Existem oportunidades para fazer mais e melhor agora que tropeçamos tão forte nos problemas mundiais da economia, do meio-ambiente, da desigualdade social...
Já notamos a necessidade de mudança, onde estão as provocações?
Quero aquele espírito jovem e promissor que movimenta o mundo nos piores e nos melhores momentos.
Por que temos tanto medo de tentar um passo grande, mesmo que o risco seja de cair novamente?
Aí a propaganda traz um túnel escuro que desemboca numa estrada vazia.
Vazia?!
Nossos sonhos estão cheios de oportunidades! Cheios de inovações e facilidades!
Desembocamos num velho mundo novo, cheio de promessas e dúvidas.
Peço mais uma vez que provoquemos as mudanças necessárias e que sejamos corajosos, apesar de toda a dúvida, para termos um novo mundo novo!
E então vem o slogan, especialmente para esta propaganda:
“Você, sem fronteiras”
Não ter fronteiras é se questionar, duvidar, lançar olhares tortos para tudo o que já está pasteurizado.
É começar de uma vez por todas as verdadeiras mudanças de que tanto ouvimos falar, mas que ainda não aconteceram por que não as provocamos.
Sem dúvida é uma propaganda muito bem produzida e, mais ainda, motivadora. Carrega um tema que gosto nas propagandas: Revolução.
Porém hoje vi os argumentos deste vídeo com outros olhos. Questionei de verdade todas as mudanças que foram aí apresentadas:
- Um presidente negro com nome mulçumano dirigindo o país mais poderoso do mundo;
- O principal jogador de futebol do Brasil é uma mulher;
- O Papa utiliza a Internet para fazer os seus sermões;
- O prêmio de melhor filme foi para Bollywood, não para Hollywood;
- Qualquer pessoa pode carregar sua própria rede.
Achei incrível como o conjunto redação, imagens e trilha sonora dessa propaganda ilustram perfeitamente meu ponto de vista a respeito do momento em que vivemos hoje.
O conjunto de fatores pouco casuais como o de um presidente negro assumir o governo Norte Americano, o Papa utilizar a Internet para transmitir sua palavra ou um filme indiano receber o Oscar me parecem muito lógicos, não me surpreenderam mesmo quando recebi estas notícias pela primeira vez.
O que me motivou a pensar em tudo isso, na verdade, foi o que aconteceu depois, aqui no mundo real:
Barak Obama briga para impulsionar mais uma mudança no orçamento dos Estados Unidos em busca de salvação para outra seguradora privada à beira da falência.
Mais uma vez o Papa afirma que “a camisinha não é a solução para o problema da AIDS na África”.
Os atores que representaram a fase infantil dos astros do filme “Quem quer ser um milionário” foram recebidos como reis na FAVELA onde moram na Índia.
O governo acaba de lançar medidas controversas para garantir mais segurança aos torcedores nos estádios.
É... tudo mudou bastante!
Cada vez mais me parece que estamos muito deslumbrados com as inovações tecnológicas, com o fato de que “QUALQUER pessoa pode carregar sua própria rede”, para percebermos o que realmente precisa mudar no nosso mundo.
Na propaganda a trilha sonora começa vibrante como o amanhecer de um novo dia, de um tempo promissor, cheio de mudanças... e então parece desistir no meio do caminho em um tom morno. Não vinga!
É assim que o mundo vai lembrar da minha famosa geração Y?
Já temos uma crise para provar que nossos modelos estão ultrapassados;
E a força da tecnologia para levar nossa voz e nosso conhecimento além dos limites físicos;
Existem oportunidades para fazer mais e melhor agora que tropeçamos tão forte nos problemas mundiais da economia, do meio-ambiente, da desigualdade social...
Já notamos a necessidade de mudança, onde estão as provocações?
Quero aquele espírito jovem e promissor que movimenta o mundo nos piores e nos melhores momentos.
Por que temos tanto medo de tentar um passo grande, mesmo que o risco seja de cair novamente?
Aí a propaganda traz um túnel escuro que desemboca numa estrada vazia.
Vazia?!
Nossos sonhos estão cheios de oportunidades! Cheios de inovações e facilidades!
Desembocamos num velho mundo novo, cheio de promessas e dúvidas.
Peço mais uma vez que provoquemos as mudanças necessárias e que sejamos corajosos, apesar de toda a dúvida, para termos um novo mundo novo!
E então vem o slogan, especialmente para esta propaganda:
“Você, sem fronteiras”
Não ter fronteiras é se questionar, duvidar, lançar olhares tortos para tudo o que já está pasteurizado.
É começar de uma vez por todas as verdadeiras mudanças de que tanto ouvimos falar, mas que ainda não aconteceram por que não as provocamos.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
Saber Amar
Relação saudável é aquela onde se pode amar a todas as pessoas, começando por você mesmo.
Aquela onde "ter alguém" significa estar junto, não ser proprietário.
Onde o desejo é correspondido com mais desejo e o respeito com mais respeito.
Relação saudável é saber que mesmo estando longe não estamos sozinhos, levamos conosco a confiança.
Aquela em que cumplicidade não significa humilhação.
Onde a saudade não vence nunca, mas também não desiste!
Relação saudável é a da brincadeira de criança, mas com seriedade nos sentimentos.
É o saboroso passar do tempo cheio de novas descobertas, juntos.
Das viagens pelas nuvens e do apoio a todos os sonhos, com responsabilidade um pelo outro.
A relação saudável também nos permite servir e ser servido com liberdade, sem ofensas.
Querer mais e mais do mesmo, o tempo todo, sem cansar ou mudar de idéia.
É colocar para cima a quem se ama, ensinar e aprender o valor do amor próprio todos os dias.
É respeitar os limites do outro tanto quanto seus próprios limites, sem provas.
É ter liberdade para amar a vontade, e cada vez mais, tendo apenas um coração.
Aquela onde "ter alguém" significa estar junto, não ser proprietário.
Onde o desejo é correspondido com mais desejo e o respeito com mais respeito.
Relação saudável é saber que mesmo estando longe não estamos sozinhos, levamos conosco a confiança.
Aquela em que cumplicidade não significa humilhação.
Onde a saudade não vence nunca, mas também não desiste!
Relação saudável é a da brincadeira de criança, mas com seriedade nos sentimentos.
É o saboroso passar do tempo cheio de novas descobertas, juntos.
Das viagens pelas nuvens e do apoio a todos os sonhos, com responsabilidade um pelo outro.
A relação saudável também nos permite servir e ser servido com liberdade, sem ofensas.
Querer mais e mais do mesmo, o tempo todo, sem cansar ou mudar de idéia.
É colocar para cima a quem se ama, ensinar e aprender o valor do amor próprio todos os dias.
É respeitar os limites do outro tanto quanto seus próprios limites, sem provas.
É ter liberdade para amar a vontade, e cada vez mais, tendo apenas um coração.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Lembranças
Lembro de tempos em tempos das boas passagens da minha vida.
Algumas que comento com amigos e familiares em conversas longas na mesa de um bar ou do jantar.
Outras que me fazem lembrar de tempos bons ou difíceis, seja no banho ou no caminho para o trabalho.
Dou gargalhadas quando recordo as palhaçadas e piadas sexuais na escola que faziam todo mundo dar risada, também dos finais de semana quando íamos bagunçar a vida da mãe no sítio.
Lembranças de tempos do colégio, baladas, festas nas casas dos amigos, bebedeiras na praça com direito a gente tirando a roupa e tudo.
Bons tempos de namoros curtos e histórias longas.
Bons tempos de sair da aula para o shopping ou para a casa do Victor, olhar para o teto ouvindo Beatles e discorrer pura filosofia.
Férias de viagens inesquecíveis, de praia com a turma, de miojo com hambúrguer e leite-condensado na lata de sobremesa.
Viagens muitas com amores diferentes e outras para encontrá-los.
Festas surpresas, pular o muro do meu tio para cair na piscina com a galera, cavalos de pau na frente de casa ou na estrada enlameada com o pai.
Tombo de moto que deixou cicatriz no joelho, o Jipe que quase capotei da ponte, voar livre pelo céu num planador, velejar.
Pessoas inesquecíveis que se foram antes da hora, mas que deixaram muito mais do que apenas lembranças.
Brincar com meus carrinhos na cama com meu avô, ver uma amiga partir tão cedo num acidente de carro, entender o que é uma doença do jeito mais difícil, compreender que nada realmente é eterno.
E que nada pode ser eterno, a vida tem movimento e vontade própria.
Brigar com o pai quando mudei para São Paulo e descobrir depois de anos que somos pai e filho de verdade.
Levar a mãe para ver seu ídolo ao vivo.
Ver os amigos partindo para outras cidades, outros países, mundos tão amplos que me motivam todos os dias a saber mais sobre eles.
Deixam tanta saudade, mas sei que voltam.
Trabalhar duro todos os dias e voltar para casa com os pés doendo e a cabeça satisfeita.
Lembro de todos os rostos, todos os passos e as conversas que foram importantes e realmente fizeram alguma diferença.
E se me lembro disso tudo é por que olho para trás e não consigo ficar triste, não me arrependo de nenhum minuto de todo esse tempo.
Respeito meu passado como um senhor sincero, mas nem sempre gentil.
E acredito sinceramente que o passado é um farol forte que ilumina o presente e clareia o caminho para o futuro.
Algumas que comento com amigos e familiares em conversas longas na mesa de um bar ou do jantar.
Outras que me fazem lembrar de tempos bons ou difíceis, seja no banho ou no caminho para o trabalho.
Dou gargalhadas quando recordo as palhaçadas e piadas sexuais na escola que faziam todo mundo dar risada, também dos finais de semana quando íamos bagunçar a vida da mãe no sítio.
Lembranças de tempos do colégio, baladas, festas nas casas dos amigos, bebedeiras na praça com direito a gente tirando a roupa e tudo.
Bons tempos de namoros curtos e histórias longas.
Bons tempos de sair da aula para o shopping ou para a casa do Victor, olhar para o teto ouvindo Beatles e discorrer pura filosofia.
Férias de viagens inesquecíveis, de praia com a turma, de miojo com hambúrguer e leite-condensado na lata de sobremesa.
Viagens muitas com amores diferentes e outras para encontrá-los.
Festas surpresas, pular o muro do meu tio para cair na piscina com a galera, cavalos de pau na frente de casa ou na estrada enlameada com o pai.
Tombo de moto que deixou cicatriz no joelho, o Jipe que quase capotei da ponte, voar livre pelo céu num planador, velejar.
Pessoas inesquecíveis que se foram antes da hora, mas que deixaram muito mais do que apenas lembranças.
Brincar com meus carrinhos na cama com meu avô, ver uma amiga partir tão cedo num acidente de carro, entender o que é uma doença do jeito mais difícil, compreender que nada realmente é eterno.
E que nada pode ser eterno, a vida tem movimento e vontade própria.
Brigar com o pai quando mudei para São Paulo e descobrir depois de anos que somos pai e filho de verdade.
Levar a mãe para ver seu ídolo ao vivo.
Ver os amigos partindo para outras cidades, outros países, mundos tão amplos que me motivam todos os dias a saber mais sobre eles.
Deixam tanta saudade, mas sei que voltam.
Trabalhar duro todos os dias e voltar para casa com os pés doendo e a cabeça satisfeita.
Lembro de todos os rostos, todos os passos e as conversas que foram importantes e realmente fizeram alguma diferença.
E se me lembro disso tudo é por que olho para trás e não consigo ficar triste, não me arrependo de nenhum minuto de todo esse tempo.
Respeito meu passado como um senhor sincero, mas nem sempre gentil.
E acredito sinceramente que o passado é um farol forte que ilumina o presente e clareia o caminho para o futuro.
terça-feira, janeiro 20, 2009
Brincando
Queria correr um pouco, disparar pela rua num tempo maluco.
Não respondia perguntas ou pedia informação, apenas caminhava para longe, organizando na cabeça tanta contramão.
Apelidei o tempo de selvagem.
Marginalizei todas as pessoas lá e cá.
Tudo rodopiou por um tempo, zuniu no ouvido, molhou com a chuva de pensamentos.
Nada era mais infame do que o salto dos minutos, que não me traziam solução.
Foi então que decidi que o tempo estava comigo, que agora não tinha inimigos.
Encontrei mão para tudo, todas as ruas davam pé.
Cá e lá tropeçava numa resposta.
Então tudo ficou mais claro, limpo.
Entendi que precisava de tempo para ordenar as coisas, precisava de uma força.
Me ajuda com o texto?
Não respondia perguntas ou pedia informação, apenas caminhava para longe, organizando na cabeça tanta contramão.
Apelidei o tempo de selvagem.
Marginalizei todas as pessoas lá e cá.
Tudo rodopiou por um tempo, zuniu no ouvido, molhou com a chuva de pensamentos.
Nada era mais infame do que o salto dos minutos, que não me traziam solução.
Foi então que decidi que o tempo estava comigo, que agora não tinha inimigos.
Encontrei mão para tudo, todas as ruas davam pé.
Cá e lá tropeçava numa resposta.
Então tudo ficou mais claro, limpo.
Entendi que precisava de tempo para ordenar as coisas, precisava de uma força.
Me ajuda com o texto?
sexta-feira, janeiro 09, 2009
Sexta-feira
Hoje é sexta-feira.
E o mais interessante é que é de fato sexta-feira, com cara de sexta-feira, sol de sexta-feira, cheiro de sexta-feira e, principalmente, humor de sexta-feira.
Aquele dia no qual se acorda mais cedo que o normal, pensando em acordar tarde no sábado, sair para almoçar antes com os colegas do trabalho somente com a preocupação de dar umas boas risadas, se permitir grudar na mesa daquela pessoa com quem gosta de conversar por horas, mesmo que o dia esteja mais corrido do que uma sexta-feira padrão.
E ai de quem disser às 16 horas que precisa de um trabalho urgente. É pior que pergunta no final da aula! Urgente é para segunda-feira, gente!
Sexta-feira os chefes dão mais risadas, os fornecedores estão de camiseta e o cinto segura uma bela e folgada calça jeans.
Esperto é o gato, que já nasce de bigode, e também quem trabalha duro até quinta para “poder mais” na sexta-feira!
E quer saber o que?
Vou embora mais cedo hoje, afinal é sexta-feira!
Dia de encontrar a namorada no fim da tarde, pegar um cinema, jantar com a família e fazer aquele cooper que faltou na semana.
Até segunda.
E o mais interessante é que é de fato sexta-feira, com cara de sexta-feira, sol de sexta-feira, cheiro de sexta-feira e, principalmente, humor de sexta-feira.
Aquele dia no qual se acorda mais cedo que o normal, pensando em acordar tarde no sábado, sair para almoçar antes com os colegas do trabalho somente com a preocupação de dar umas boas risadas, se permitir grudar na mesa daquela pessoa com quem gosta de conversar por horas, mesmo que o dia esteja mais corrido do que uma sexta-feira padrão.
E ai de quem disser às 16 horas que precisa de um trabalho urgente. É pior que pergunta no final da aula! Urgente é para segunda-feira, gente!
Sexta-feira os chefes dão mais risadas, os fornecedores estão de camiseta e o cinto segura uma bela e folgada calça jeans.
Esperto é o gato, que já nasce de bigode, e também quem trabalha duro até quinta para “poder mais” na sexta-feira!
E quer saber o que?
Vou embora mais cedo hoje, afinal é sexta-feira!
Dia de encontrar a namorada no fim da tarde, pegar um cinema, jantar com a família e fazer aquele cooper que faltou na semana.
Até segunda.
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