domingo, janeiro 17, 2010

O Mundo Que Nós Criamos

Já faz algum tempo que venho anunciando aqui no Blog meus pontos de vista a respeito da forma como temos tratado nosso planeta, nossa sociedade, enfim, o mundo em que vivemos.

Temos colhido durante os últimos anos todas as luzes das culturas passadas, temos obtido avanços incríveis na tecnologia e até mesmo na cultura e gestão do público e do privado.

Por outro lado, é um fato alarmante constatar que colhemos também toda a falta de educação das pessoas que jogam lixo nas ruas e insistem em tratar mal seus filhos, colhemos nossas próprias ervas daninhas, devidamente cultivadas.

Plantamos nuvens de poluição e colhemos desastres naturais. Continuamos ceifando a perspectiva de nossos filhos poderem observar tranquilamente nossas obras de arte num futuro, de poderem passear em jardins e colher bons frutos desse velho mundo.

Não acredito que reclamar seja uma solução, mas tragédias, como recentemente a do Haiti, nos mostram o quanto estamos despreparados para enfrentar as consequências dos nossos próprios atos. Por sorte doações e ajuda humanitária para vítimas são abundantes, ainda bem que nos mantivemos sensíveis a isto.

Mas se fosse aquele um país melhor administrado e cuidado, se recebesse mais atenção dos órgãos mundiais no combate às suas guerras civis e ao drama da péssima educação, talvez não precisássemos ver na televisão mães fazendo biscoitos de creme de leite, açúcar e barro nas ruas destruídas do país. Foi uma das cenas mais absurdas que já vi na minha vida, crianças comendo bolinhos de barro por puro desespero.

Pensando nisso escutei hoje uma música formidável do Queen, composta pelos gênios Freddie Mercury e Brian May (vocalista e guitarrista da banda), que retrata esse pensamento igualmente melancólico, mas que é imbatível para expressar o que sinto a respeito de como cuidamos do nosso mundo hoje:



Tradução (desculpem o inglês enferrujado):

Just look at all those hungry mouths we have to feed
Veja todas essas bocas famintas que precisamos alimentar
Take a look at all the suffering we breed
Veja todo o sofrimento que causamos
So many lonely faces scattered all around
Tantas faces solitárias se espelham por toda parte
Searching for what they need
Procurando pelo que precisam
Is this the world we created?
É este o mundo que criamos?
What did we do it for?
Para que o fizemos?
Is this the world we invaded
Este foi o mundo que invadimos
Against the law?
Contra a lei?
So it seems in the end
Então é o que parece no fim das contas
Is this what were all living for today?
É para isso que estamos vivendo hoje?
The world that we created
O mundo que criamos
You know that every day a helpless child is born
Você sabe que todo dia nasce uma criança sem esperança
Who needs some loving care inside a happy home
Que precisa de algum carinho dentro de um lar feliz
Somewhere a wealthy man is sitting on his throne
Em algum lugar um home poderoso está sentado em seu trono
Waiting for life to go by
Esperando a vida passar
Is this the world we created?
Este é o mundo que criamos?
We made it on our own
Nós fizemos isto por nós mesmos
Is this the world we devastated
Este é o mundo que devastamos
Right to the bone?
Até não poder mais? (Até os ossos?)
If there's a God in the sky looking down
Se houver um Deus no céu, olhando aqui pra baixo
What can he think of what we’ve done
O que Ele deve pensar sobre o que nós fizemos
To the world that he created?
Para o mundo que Ele criou?


Não quero ser mais um arauto das más notícias, mas cuidar do mundo dessa forma, com lixo, com educação pobre, sem notar a importância da saúde e a responsabilidade, de e para, os povos não haverá futuro para o mundo que criamos.

Mas já disse Henry Ford em sua célebre frase: “Não encontro defeitos, encontro soluções. Qualquer um sabe queixar-se.” e, também pensando nisso, digo que existe apenas uma palavra capaz de contradizer todas essas previsões pessimistas:

EDUCAÇÃO

Se quisermos criar um mundo melhor precisaremos entender que o caminho da educação é também a receita original de tudo isso, independente de religiões, ciências, tendências políticas ou crenças de cada um, precisamos buscar o conhecimento, pois só ele pode trazer a tona perguntas e respostas capazes de tirar nosso mundo das trevas mais uma vez.

Faça-se a luz!

7 comentários:

Nicole disse...

Superando nossas expectativas sempre!
Lindo texto, como de costume!

Já te disseram que você é muito bom nisso?

Um beijo.

Eilor Marigo disse...

Obrigado Ni, espero sinceramente que estes textos sejam fonte de inspiração para mudanças.

E obrigado pelo elogio também, amor. Eu me esforço sempre para produzir bons textos e melhorar.

Beijos!

Nicole disse...

Vejo que se esforça sempre sim e consegue escrever de forma tão leve e simples, os pensamentos são tão naturais. É muito gostoso de ler!!

Muito bom!

Carla disse...

Que orgulho desse meu cunhado.

Parabéns pelo texto.

Eilor Marigo disse...

Obrigado Carla :-) !!!

Anônimo disse...

Gostei muito do texto, "trombei" por aqui procurando sobre uma "revolução de mentalidade", que é a única que precisamos no momento.

Qual o problema de uma pessoa ficar horas olhando para o mar? As ondas, o som, a sensação de estar diante de algo grandioso e "eterno"...
De gostar de ficar embaixo da chuva, sentindo os pingos e o frio, sabendo que está viva...

O problema é que ela está "sozinha", sufocada pelos apressados, que lutam para ter tudo aquilo que jamais terão, o que as propagandas lhes disseram que precisavam... mas "esqueceram" de dizer que nem 1% das pessoas terão.

Precisamos fazer as pessoas ver que o suposto "progresso" só é aproveitado de fato por um número irrelevante de pessoas, e todos juntos pagam a conta.

Continue com sua forma de pensar, pessoas como você me dão esperanças.

Eilor Marigo disse...

Obrigado pelas palavras!

Tem toda razão e teve um cara que falou algo muito importante sobre tudo isso: "Antes de se tornar alguém de sucesso, procure ser alguém de valor!" - Albert Einstein.

Abraços e continue lendo o Blog!