sábado, outubro 24, 2009

Sem título

“As pessoas me perguntam como é ser casada com um santo. É chato, eu respondo. Antes casar-se com o diabo. Já experimentei um pouco do céu em minha vida e também um pouco do inferno, e prefiro o inferno. Mas o que você diz é verdade, Tom. Ele é um homem excelente.”

Da personagem Tolitha, do livro O Príncipe das Marés, de Pat Conroy.

Quando me perguntam se acredito no céu, eu, que não tenho religião por opção e nenhuma crença semelhante, respondo:

- Sim, você está nele. Ah, e no inferno também.

Não tenho nada contra as crenças de ninguém. Pelo contrário, acho muito bonita a fé. Tenho a minha também, que reside em mim e em todas as outras pessoas que estão nesse mundo e fora dele também.

Porém acredito que o bem e o mal estão aí, cada um com seus 50% de chances de vingar, bem como o mesmo tanto de influência em nossas vidas.

A alegria e a tristeza estão intimamente ligadas com a tendência que cada um tem de se surpreender e acreditar no que é bom e no que é mau. No que presta e no que não presta. Tem gente que vê a beleza sublime de uma paisagem e se choca com isso sentindo um conforto no coração. Outras se chocam com o que as fere, machuca de verdade, é feio e o resto é apenas comum. Essa é a diferença de quem é feliz com a vida ou não, na minha concepção.

A mídia, por exemplo, atende muito mais a quem necessita ser chocado com o que fere, machuca. Isso vender melhor por que o bonito não chama tanta atenção com suas imagens, é sublime. O feio é impactante, fascinante, requer mais sentimentos e menos lógica por ser entendido instantaneamente pelos instintos.

Por isso a tragédia tem um som tão claro para a maioria, enquanto uma bonita paisagem pode passar despercebida. Feliz quem pertence à minoria.

Eu procuro.

Não há noite de briga que me faça acordar sem pensar “Hoje vale a pena vestir a camiseta verde. Não vou dar trela para ontem, já foi.”

E quando os religiosos dizem:
- Deus deu o dom da vida e só ele pode tirar.

Penso:
- Sim. E o faz.
E, nesse meio tempo, só podemos ajustar o balanço fino do bem e do mau, do sim e do não e do certo e do errado.

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